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Se enrolou com as contas de começo de ano? 8 dicas de como organizar as finanças

Aprenda a sair do sufoco

O resultado da desorganização financeira pode ser um amontoado de dívidas que se estendem pelos próximos meses, acabando já no começo do ano com os projetos para 2023 (damircudic/Getty Images)

O resultado da desorganização financeira pode ser um amontoado de dívidas que se estendem pelos próximos meses, acabando já no começo do ano com os projetos para 2023 (damircudic/Getty Images)

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Giulia Veloso

Publicado em 10 de janeiro de 2023, 07h30.

As contas a serem pagas no começo do ano, como IPTU, IPVA e o material escolar, podem bagunçar o orçamento se não houver um planejamento. “Não é preciso estudos muito aprofundados para ver que as pessoas não lidam bem com esses gastos extras de início de ano”, comenta Reinaldo Domingos, PhD em educação financeira, presidente da DSOP Educação Financeira e da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros). “Basta ver os dados.”

Exemplos? Em relação ao IPTU, em 2021, a inadimplência do imposto na cidade de São Paulo foi de 13,44%. Já em relação ao IPVA, o índice ficou em 8,3%, chegando a ser 9% em 2020. “Isso ocorre por falta da educação do comportamento financeiro. As pessoas não foram ensinadas a lidar com o dinheiro nas escolas e em seus lares e normalmente se veem obrigadas a aprender sobre o tema na prática, onde erros podem levar à inadimplência.”, diz Domingos.

Como pagar as contas de começo de ano

A principal dica para não bagunçar o orçamento com as contas de começo de ano é separar mensalmente, ao longo de todo o ano, os valores correspondentes para esses gastos ou ter uma reserva estratégica. 

O problema da desorganização se agrava ainda mais porque muita gente gasta demais no fim do ano. “Na euforia das comemorações, além do desejo de presentear parentes e amigos e o sonho de viajar para o merecido descanso.” Aí, quando chega o ano novo e as novas despesas que o acompanham - IPVA, IPTU, matrícula e material escolar, entre outras -, a situação fica difícil.

Como fazer uma faxina financeira

O resultado dessa falta de planejamento financeiro pode ser um amontoado de dívidas que se estendem pelos próximos meses, acabando já no começo do ano com os projetos para 2023, explica o educador. 

Por isso, ele aponta esse como o período ideal para promover uma "faxina" financeira no orçamento, com o objetivo de diagnosticar a atual situação das contas e decidir o que fazer nos próximos meses.

“O ideal é que a partir deste ano se faça escolhas de consumo que estejam dentro do seu padrão de vida. Se as condições não permitem, procure outras opções mais prazerosas e de menor valor. O ideal é não se endividar. Mas para isso é preciso planejamento.”

Vale lembrar que pessoas planejadas passam melhor por imprevistos, pois possuem uma melhor visão do futuro. “É mais fácil readequar um caminho do que construir do zero. Assim, colocar no papel as despesas previstas para 2023 é o primeiro passo para não perder o controle financeiro ao longo do ano.” 

Como se organizar financeiramente

Veja o passo-a-passo elaborado pelo educador financeiro, a pedido da EXAME, para organizar as finanças em 2023.

  1. Identifique os gastos
    Coloque no papel ou em uma planilha os compromissos dos próximos 12 meses, como datas comemorativas, pagamento de impostos (IPVA e IPTU), matrícula e material escolar etc. Registre o valor previsto a ser gasto com cada uma dessas atividades. Claro, os números podem mudar no meio do caminho, mas é importante já ter uma ideia para se programar.
  2. Anote as parcelas
    Caso tenha parcelas de compras feitas que se estenderão por 2023, elas também devem estar registradas nesse planejamento, para fazer parte do orçamento financeiro dos meses seguintes.
  3. Fale com a família
    Sente e converse com todos os integrantes da família, inclusive as crianças, para falar sobre os sonhos individuais e coletivos. Esse é um passo muito importante para mudar a forma como a família lida com o dinheiro, passando a entender que ele é um meio para realizar sonhos. Viajar, trocar de carro, casa ou sair das dívidas são objetivos a serem considerados.
  4. Pesquise os sonhos
    Procure saber quanto custam e faça cotações até achar a melhor possibilidade de preços para realizá-los. Assim, você tomará os primeiros passos para realizar sonhos, seus e de sua família. Isso é o planejamento, agir com antecedência.
  5. Poupe dinheiro
    Guarde dinheiro para cada sonho simultaneamente e escolha o melhor investimento de acordo com o prazo de realização de cada um. Para os de curto prazo (até um ano), coloque na caderneta de poupança ou em algo com liquidez; para os de médio prazo (de um a dez anos), no CDB, Tesouro Direto, fundos de investimento. Já para os de longo prazo (acima de dez anos), Tesouro Direto, previdência privada e ações são boas opções.
  6. Reduza despesas
    Faça um diagnóstico financeiro, anote todos os gastos ao longo de um mês, separando as despesas por categorias (energia elétrica, água, alimentação, combustível, telefone etc.), para saber onde exatamente se pode diminuir ou até mesmo cortar. Acredite, todos nós temos, pelo menos, 20% de desperdício ou exagero nas contas. Assim você também saberá como está gastando cada centavo.
  7. Mude o orçamento mensal
    Mude a forma como elabora o orçamento financeiro mensal. A partir de agora, calcule da seguinte maneira: valor ganho, menos valor dos sonhos e depois tirar o valor das despesas. Isso significa priorizar os sonhos e não as despesas, ao contrário do orçamento tradicional: valor dos ganhos, menos despesas e o que sobrar será lucro ou prejuízo. Depois que tirar o valor destinado aos sonhos, com o que sobrar, adeque o seu padrão de vida.
  8. Alerta: inadimplência
    Caso esteja inadimplente, é necessário fazer uma verdadeira faxina financeira, buscando pela causa do problema. Não adianta procurar o credor para pagar sem saber das suas possibilidades, do quanto possui para quitar as parcelas, então pode acabar se enrolando ainda mais. Reeduque-se financeiramente para realmente iniciar um novo ano, com uma vida nova.

“A grande orientação para as pessoas é terem a percepção de que educação financeira vai muito além de números, está relacionada a comportamentos, mudanças na forma com a qual lidamos com o dinheiro”, diz Domingos. “Se você fizer, neste ano, as mesmas coisas que foram feitas em anos anteriores, o resultado será o mesmo, com endividamento ou descontrole.”