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CDB ou poupança: qual aplicação rende mais?

Os CDBs geralmente rendem mais que a poupança, mas para achar o investimento ideal é preciso olhar para a liquidez; entenda como escolher a melhor opção para você

Além do rendimento, é preciso observar a liquidez e taxas envolvidas nas transações (twomeows/Getty Images)

Além do rendimento, é preciso observar a liquidez e taxas envolvidas nas transações (twomeows/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 4 de janeiro de 2023, 10h15.

Última atualização em 4 de janeiro de 2023, 11h35.

Criada na época do Império, em 1861, a poupança é a aplicação mais popular do Brasil. Segundo o relatório “Raio X do Investidor Brasileiro”, da Associação Nacional das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 29% da população brasileira — o equivalente a 30 milhões de pessoas das classes A, B e C — guarda dinheiro na caderneta.

Mas a popularização do acesso a serviços financeiros abriu novas possibilidades para quem quer preservar seu patrimônio — e, até mesmo, lucrar um pouco com isso. Uma dessas opções são os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que muitas vezes podem oferecer uma remuneração superior à poupança, mas têm particularidades que demandam uma atenção maior do investidor.

Para explicar as diferenças entre a poupança e o CDB e te ajudar a escolher qual a melhor opção para o seu perfil, a EXAME conversou com a especialista em matemática financeira Hellen Kato, da plataforma Me Poupe!. Segundo ela, ambas as aplicações contam com os mesmos mecanismos de segurança, como a garantia do Fundo Garantidor de Créditos.

Mesmo assim, dois pontos são fundamentais para guiar essa escolha: rendimento, quanto você vai receber por deixar o dinheiro parado, e liquidez, quando você pode resgatar esse dinheiro de volta.

Quanto rende a poupança?

Na poupança, o valor que o banco paga para que você deixe o seu dinheiro guardado lá é predefinido por um conjunto de regras atreladas à taxa Selic, que é a taxa básica de juro da economia:

– Se a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês 

– Se a Selic estiver igual a ou abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será equivalente a 70% da Selic

Em ambos os casos, o rendimento inclui também a variação da TR, a taxa referencial, um outro indicador de juros do mercado. Essa variação é bastante pequena.

Em 2022, a taxa Selic, que é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, se manteve sempre acima dos 8,5%. Começou o ano em 10,65% e, em dezembro, fechou com 13,65% ao ano.

Quanto rende o CDB?

Já os Certificados de Depósitos Bancários têm seus rendimentos atrelados ao CDI, que é uma taxa de juro que os bancos praticam entre si quando emprestam dinheiro uns aos outros. O CDI sempre acompanha a SELIC de pertinho — hoje, ela está em 13,75%, e o CDI, em 13,65%. 

Ou seja: se um CDB rende “100% do CDI”, atualmente ele renderia 13,65% ao ano. É um rendimento bem maior que o da poupança, que hoje rende 0,5% ao mês (ou 6% ao ano). Mas esse rendimento mais vantajoso não vem de graça. 

Enquanto a poupança é isenta de impostos e permite que o dinheiro seja resgatado a qualquer momento (ou seja, tem liquidez diária), o CDB está sujeito à cobrança de imposto de renda e, na maioria das vezes, só pode ser resgatado no vencimento, que é data combinada com o banco para que ele devolva o seu dinheiro com o respectivo rendimento.

O imposto de renda que incide sobre o CDB é calculado com base no tempo que o seu dinheiro ficou à disposição do banco:

Aplicações de até 180 dias: 22,5%
Aplicações entre 181 e 360 dias: 20%;
Aplicações entre 361 e 720 dias: 17,5%;
Aplicações maiores do que 720 dias: 15%

Afinal, entre o CDB e a poupança, qual rende mais?

Para fazer essa conta, você precisa saber quanto tempo você pode ficar sem o dinheiro que pretende investir. E então, descontar do rendimento acordado a alíquota de IR que será cobrada. Para exemplificar, vamos simular uma aplicação de R$ 1 mil em um CDB que rende 100% do CDI com resgate em 360 dias (um ano) e 720 dias (dois anos). Lembrando que o IR é calculado apenas sobre o rendimento das aplicações. 

Resgate em 360 dias:

1.000 x 13,65% = 136,50 de rendimento

136,50 - 20% = 109,20

Resgate em 720 dias:

1.000 x 13,65% = 136,50 de rendimento ao ano, ou 273 no total

273 - 17,5% = 225,23, ou 112,61 ao ano

Perceba que, por ter deixado o dinheiro mais tempo nas mãos do banco, ele teve um rendimento anual ligeiramente superior, justamente pela diferença na alíquota do imposto de renda. Já na poupança, esses mesmos R$ 1 mil renderiam cerca de 6% ao ano: apenas R$ 60.

“Ou seja, os CDB com rendimento igual ou superior a 100% do CDI rendem mais que a poupança, mesmo após o desconto do imposto de renda”, calcula Kato, da Me Poupe!. “Se o rendimento for menor que 100% do CDI, não é vantajoso.”

A especialista lembra que se o dinheiro investido em um CDB for a sua reserva de emergência, você pode vir a precisar dele antes do prazo acordado com o banco. Sem acesso ao dinheiro, você vai precisar recorrer a um empréstimo, que tem juros bem maiores e acabará corroendo todo o rendimento que você teria.

“Normalmente pensamos que emergência é só perder o emprego, mas pode ser algo muito mais imprevisível. Um raio pode atingir sua casa e queimar seus eletrodomésticos todos de uma vez, ou o seu pet pode ficar doente e exigir grandes gastos com veterinário, por exemplo”, explica a especialista. “Por isso é importante ter uma meta para o seu dinheiro. Assim, você sabe exatamente quando vai precisar dele e consegue optar por CBDs com prazos de liquidez mais longos, que pagam uma remuneração melhor.”