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Dá para gastar menos na ceia de Natal; economista da FGV e chef dão as dicas

Mesmo com preço dos alimentos subindo mais que a inflação, com planejamento e escolha certa dos ingredientes a ceia pode pesar menos do que o esperado no orçamento

Alimentos in natura, em especial as frutas, são os vilões da ceia natalina este ano; é nessa categoria que o consumidor deve buscar substituições mais em conta. (Duas Terezas/Divulgação)

Alimentos in natura, em especial as frutas, são os vilões da ceia natalina este ano; é nessa categoria que o consumidor deve buscar substituições mais em conta. (Duas Terezas/Divulgação)

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Da Redação

Publicado em 20 de dezembro de 2022, 07h30.

Última atualização em 20 de dezembro de 2022, 11h10.

Com a alta dos alimentos bem acima da média da inflação, planejar-se para fazer as compras da ceia de Natal caberem no orçamento pode ser um desafio. “Realmente, os alimentos são os vilões da inflação, que hoje está em torno de 6,5% no acumulado do período. Já nos alimentos, a alta é de 12% nos últimos 12 meses”, explica André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). 

Na comparação com o Natal de 2021, segundo os dados da FGV, a cebola, por exemplo, ficou 168% mais cara, a batata inglesa subiu 30% e as frutas, em média, tiveram aumento de 38,8% – algumas, como o mamão, passaram dos 60%. 

O especialista, no entanto, tem boas notícias para o consumidor: com poucos ajustes no cardápio, o impacto no orçamento pode ser menor, já que, dos itens que costumam fazer parte da ceia natalina, aqueles que possuem um nível de preço mais alto não tiveram muita variação. 

“A ceia vai ficar mais cara que o ano passado, mas a surpresa vem dos alimentos in natura. O consumidor não vai estranhar muito o preço do frango especial, do pernil, do bacalhau, do vinho e do azeite, que normalmente não faltam nessa ocasião”, diz Braz. 

O vinho, por exemplo, aumentou 5%, o azeite, 9,5%. A carne suína praticamente não teve aumento: o lombo teve alta de 0,13% apenas nos últimos 12 meses e o pernil, de 0,63%, bem abaixo da inflação. 

Como economizar nas compras para a Ceia de Natal

Segundo o economista, uma forma de não extrapolar os gastos da ceia é, avaliar possíveis substituições aos acompanhamentos de mesa que são in natura, especialmente as frutas, optando pelas com melhor preço. Mas também sugere outras medidas: 

Dê oportunidade para produtos com marcas menos conhecidas – As marcas líderes normalmente têm um nível de preço mais alto, porém, existem marcas alternativas, que costumam custar menos. “Quando simulamos a mesma cesta de compras, mas com marcas de menor tradição – também com qualidade, mas menos penetração de marketing –, percebe-se uma diferença de até 50% no valor total”, salienta Brás.

Não deixe para comprar em cima da hora – Este é sempre um ponto crucial, principalmente para as proteínas. “Carne suína, frango inteiro e chester, por exemplo, são vendidos por quilo e em cortes maiores e menores. Porém, à medida que o tempo vai passando, os menores vão saindo primeiro e sobram os maiores, que são mais caros e talvez inadequados para a dimensão da sua família”. 

O clássico “cada um traz um prato” – Com a população vacinada e as famílias se reunindo novamente, Brás lembra que o costume de cada pessoa levar um prato é mais uma oportunidade para economizar. “Se cada um contribuir com parte da ceia, não pesa muito para ninguém e vai aliviar o impacto do jantar no orçamento familiar”, ressalta o especialista da FGV. 

Ceia de Natal econômica, sem perder o ar de festa

Mariana Pelozio, chef do restaurante Duas Terezas, em São Paulo, dá ainda algumas dicas práticas de como planejar um cardápio mais econômico para a noite de Natal – e sem perder a cara de festa. 

A primeira é olhar mais para a culinária brasileira e usá-la como uma opção para a ceia natalina. “Por exemplo, substituir o damasco por uma compota de caju. Fica muito mais barato! Outra substituição bacana é trocar o arroz natalino com bacalhau por baião de dois ou vatapá. Essas receitas levam produtos nacionais, diminuindo o custo da ceia”, sugere.

A chef recomenda também investir em entradas. “As entradas saciam as pessoas na pré-ceia e, na hora do prato principal, não estarão com tanta fome”, explica. Ela indica, por exemplo, bolinhos diversos ou pasta de tomate, babaganush, pasta de grão-de-bico ou pastas de queijo, acompanhadas de pão ou torrada.

Para a chef Mariana Pelozio, apostar em ingredientes nacionais é uma maneira de baratear o menu de Natal (Mariana Pelozio/Divulgação)

Por fim, Pelozio lembra que o que faz um prato ser de festa, mais do que o ingrediente considerado nobre, é a forma como a comida é servida – a mesa posta, os acompanhamentos, as bebidas – e como o ingrediente é tratado, por mais barato que seja. 

“Na minha família, por exemplo, normalmente usamos arroz de bacalhau, mas se substituirmos o bacalhau pela tilápia e ele for muito bem feito e trabalhado, o prato fica tão gostoso quanto. Tudo vai de como será preparado e apresentado”, conclui.