Como comprar uma casa de praia luxuosa pagando menos?

Companhia irá investir R$ 1,1 bilhão para criar doze condomínios com casas compartilhadas em destinos badalados como Noronha, Búzios e Trancoso
Paulo Henrique Barbosa, CEO da Resid (Andre Porto/Divulgação)
Paulo Henrique Barbosa, CEO da Resid (Andre Porto/Divulgação)
D
Da RedaçãoPublicado em 14/10/2022 às 11:22.

Casas de praia que não custam uma fábula são uma raridade – e os gastos recorrentes com manutenção, em geral, não são nada desprezíveis. A quantidade de vezes que os proprietários costumam visitá-las a cada ano, no entanto, costuma ser muito baixa. 

Vale a pena comprar uma casa na praia?

Diante de todas essas variáveis, se couber no seu orçamento – e fizer parte dos planos –, a resposta é sim. 

Mas há uma alternativa mais em conta – e talvez mais lógica – para quem busca uma casa de praia para usar só vez ou outra. São as casas compartilhadas, que ganharam força com a lei da multipropriedade, promulgada em 2018. 

Ela permite que o comprador de um imóvel com mais de um dono obtenha uma escritura lavrada em cartório. É uma segurança a mais para quem quiser revender sua cota, por exemplo, ou deixá-la de herança para os filhos. 

Multipropriedade vale a pena?

Uma das vantagens desse modelo é permitir a compra de um imóvel de luxo por uma fração do valor total. Sim, você só poderá usufruir da aquisição algumas vezes por ano, dependendo das condições estipuladas na hora da compra. Mas, convenhamos: dificilmente você desfrutaria por muito mais tempo se fosse o único dono.   

Uma das companhias que aposta nesse modelo é a Resid, que irá investir R$ 1,1 bilhão nos próximos cinco anos para criar doze condomínios com casas compartilhadas. 

Ficam em destinos incensados como Fernando de Noronha, em Pernambuco; Búzios, no Rio de Janeiro; Trancoso, na Bahia; e Pipa, no Rio Grande do Norte. 

Esses empreendimentos terão direito a alta gastronomia e a serviços de concierge, manobrista, mordomo, além de atividades de lazer fora de série. Com R$ 180 mil, estima-se, será possível arrematar uma fração de uma residência avaliada em R$ 9 milhões. Até o final de 2024, a Resid quer atingir um VGV (Valor Geral de Vendas) de 6 bilhões de reais. O primeiro empreendimento da companhia deverá ser lançado ainda neste ano. 

“O ato de compartilhar não está ligado a uma classe econômica, é algo que extrapola o benefício financeiro e tem muito a ver com comportamento de consumo e lifestyle”, defende Paulo Henrique Barbosa, CEO da Resid. “No caso do mercado de residências de férias, o compartilhamento reduz o custo de aquisição, além de resolver a ‘dor de cabeça’ da manutenção e gestão do imóvel”. Essas últimas tarefas, convém explicar, ficam a cargo dos condomínios.

Um dos fundadores da Resid é Francisco Costa Neto, que ajudou a propagar o conceito de multipropriedade no Brasil, em 1999. Ele foi CEO da Aviva, que detém as marcas Rio Quente Resorts, Hot Park e Costa do Sauípe. O clube de férias que ele criou totalizou 4 bilhões de reais em vendas.  

Outra companhia que aposta muitas fichas na propriedade compartilhada no Brasil é a VCI. É a incorporadora responsável pelos dois hotéis da rede Hard Rock que estão sendo construídos no país. Um deles fica em Fortaleza e o outro, na Ilha do Sol, no interior do Paraná. 

Todas as acomodações foram postas à venda, em frações. O comprador poderá desfrutar de seus dias no apartamento escolhido, pelo resto da vida, sem desembolsar nem um real pelas diárias, que deverão girar em torno de 1.200 reais. E poderá levar quem quiser, respeitando a acomodação máxima do quarto. O único custo extra será a taxa condominial (nos empreendimentos da Resid não será diferente). 

Dá para emprestar o imóvel para qualquer parente ou amigo?

Sim. E, caso você não possa viajar na data que te pertence, basta recorrer a um sistema de trocas. Não quer ir para o mesmo destino pelo resto da vida? Os resorts da Hard Rock são filiados à RCI, companhia americana especializada na troca de diárias de hotéis que adotam o timesharing — do portfólio dela fazem parte mais de 4.300 empreendimentos, situados em uma centena de países.

A VCI tem planos de erguer mais um hotel Hard Rock em São Paulo, outro em Natal, um Recife e mais um em Jericoacoara, no Ceará. Todos baseados no conceito de propriedade compartilhada, que parece ter vindo para ficar.