ESG para além das boas intenções e em sintonia com o crescimento empresarial

Em coluna desta semana, Viviane Martins, CEO da Falconi, reflete sobre a pauta ESG no dia a dia dos negócios
 (Shutterstock/Divulgação)
(Shutterstock/Divulgação)
V
Viviane MartinsPublicado em 15/08/2022 às 14:02.

Realidade e equilíbrio – mais e mais estes são os desafios com os quais os gestores se deparam quando, ao mesmo tempo que têm de entregar suas metas de crescimento, também são cada vez mais pressionados para demonstrar avanços reais de políticas corporativas em relação ao meio-ambiente, à sociedade e à governança. De um lado é preciso incorporar as práticas ESG no dia a dia de toda a corporação. De outro, é preciso que tais práticas estejam em equilíbrio com o valor que a empresa entrega a seus acionistas.  

Não à toa que, recentemente o suíço IMD (Instituto para o Desenvolvimento da Gestão) cravou em sua revista que é preciso “transformar boas intenções em realidade”, lembrando que certamente existem empresas que realmente querem ser sustentáveis. “No entanto, muitas dessas empresas, apesar de suas melhores intenções, ainda podem lutar para realizar todo o potencial da sustentabilidade, especialmente quando se trata de gerenciar simultaneamente seu crescimento e sua responsabilidade sócio corporativa”.  

No artigo, aborda-se o caso da marca de luxo italiana Brunello Cucinelli, que consegue equilibrar a adoção de práticas sustentáveis ​​com a entrega de suas metas de crescimento. O conceito de crescita garbata” (algo como “crescimento gentil, ou elegante) implantado pela grife italiana se baseia em uma cadeia de suprimentos ética e sustentável e em garantir que os interesses maiores da humanidade estejam no centro da estratégia e das operações do negócio, através da definição de objetivos sustentáveis ​​e justos para crescimento e lucro.   

Para tal, é preciso que o valor econômico produzido para os acionistas esteja em equilíbrio com o valor criado para as pessoas e o planeta.  Mas para tornar as cadeias de valor verdadeiramente sustentáveis, deve-se “eliminar a ênfase na publicidade distrativa e orientada para o lucro dos esforços de sustentabilidade”.  

Só que a questão não está apenas na distração publicitária de uma ou outra política ESG grandiosa, que por vezes é apenas uma iniciativa isolada. Há algumas semanas, o fórum de governança corporativa da Harvard Law School publicou um artigo no qual os autores apontam que as prioridades ESG “só se tornam reais e propositais quando toda organização as incorpora em suas operações diárias”.   

Como gosto de dizer – e fazer – no meu dia a dia, é preciso colocar metas, desdobrá-las, acompanhá-las, mensurá-las e revisá-las. Mais: é preciso o engajamento de todos. Só assim se avança. Mais rápido ainda se, a par com os projetos oficiais de sua empresa, houver espaço para iniciativas voluntárias de seus funcionários e se a companhia tiver como mantra a prática da escuta ativa e espaço para sugestões e ideias, para que seus projetos ESG não apenas cresçam para dar frutos na vida real, mas para que também gerem novas sementes, em um aperfeiçoar constante para melhorar a vida de todos nós. 

 Como bem indagou o CEO da Tech Mahindra, Chander Prakash Gurnani, no Fórum Econômico Mundial, “por que ainda debatemos os méritos de aliar a sustentabilidade com a rentabilidade do negócio?”. Segundo Gurnani, é preciso que as conversas se transformem em um grito de guerra: “na corrida para acelerar o crescimento econômico, criou-se tantos desequilíbrios no ecossistema que a própria sobrevivência do nosso planeta está em jogo”.