De olho na geração alfa, que logo chega ao mercado de trabalho

Em sua coluna, a CEO da Falconi, Viviane Martins, fala sobre diversidade etária nas empresas e a chegada da geração que cresceu na pandemia
 (Delmaine Donson/Getty Images)
(Delmaine Donson/Getty Images)
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Viviane Martins

23 de janeiro de 2023, 16h00

Em um mundo cada vez mais longevo, daqui a poucos anos, começaremos a receber no mercado de trabalho uma nova geração de profissionais. Já batizada de geracão alfa, engloba as crianças que completam 13 anos em 2023 até aquelas que ainda nascerão no ano que vem.

Primeira geração inteiramente nascida no século XXI, na sua maioria serão as crianças da pandemia: aquelas que foram alfabetizadas e socializaram com o mundo através da janela digital nos tempos de confinamento. Mesmo antes disso, muitos foram bebês que antes mesmo de aprender a falar já tinham tido suas primeiras interações com smartphones.

Pelo acesso precoce a telas e à internet, sem fronteiras e barreiras físicas, a geração que ficou um ano trancada em casa será a mais globalizada de todas, segundo especialistas. Deverão ser a geração a navegar com mais naturalidade entre diferenças culturais.

Também são as crianças que crescem sob a perspectiva global das mudanças climáticas.  Deverão testemunhar de duas a sete vez mais eventos extremos relacionados ao clima - sobretudo ondas de calor - do que pessoas nascidas em 1960, segundo um estudo da Universidade de Nottingham.

Daqui a cinco anos, o jovem de 18 anos encontrará no trabalho profissionais de cinco gerações anteriores, pois os mais jovens dos baby boomers estarão com 64 anos - a idade mínima para aposentadoria dos homens é de 65 anos. Lá também estarão representantes da geração X (nascidos entre 1965 e 1980), Y (1981 e 1996) e Z (1997 e 2010).

Para as empresas, o convívio inédito de cinco gerações poderá ser uma alavanca de crescimento acelerado. A diversidade de idade entre os colaboradores, comprovam diferentes estudos, traz diversos impactos positivos para o mundo corporativo. Alguns deles são:

  1. Melhor desempenho: equipes mistas envolvidas em tarefas complexas de tomada de decisão tendem a apresentar alta performance
  2. Menor rotatividade: pesquisas indicam que funcionários com 55 anos ou mais contribuem para diminuir a rotatividade e tendem a ser trabalhadores leais.
  3. Mais inovação: ambientes com mais variedade de experiências e pontos de vista ajudam a promover mais ideias criativas e inovadoras.
  4. Mais habilidades: cada geração traz seus próprios conjuntos de técnicas e aprendizados para o negócio - se uma geração tem maior domínio da tecnologia, outra tem mais expertise interpessoal. A combinação de talentos fortalece o todo.
  5. Maior alcance entre consumidores de diferentes faixas etárias: negócios que exigem contato pessoal e direto com o consumidor se beneficiam da identificação deste com profissionais dessa ou daquela geração.
  6. Plataforma natural de mentoria: em um mundo em que o aprendizado contínuo e o desenvolvimento de habilidades devem ser uma constante, colaboradores de todas as idades têm a oportunidade de ensinar aos que são mais jovens ou mais velhos que eles.

Nesse caldo, gestores terão de se preparar para dar conta de um antigo e cada vez mais inadiável desafio: colocar as pessoas no centro. Sejam elas pessoas com décadas de vivência, experiência e conhecimento do negócio ou aquelas que navegam a era digital com intuição, naturalidade e uma flexibilidade capazes de agregar valores indeléveis aos resultados.