Cooperação para abrir novos caminhos em um mundo multipolar

De olho no Fórum de Davos, a CEO da Falconi, Viviane Martins, lista os desafios globais de uma década marcada por incertezas e fragilidades
 (Foto/Thinkstock)
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Viviane Martins

Publicado em 10 de janeiro de 2023, 13h34.

A meteorologia prevê que os mais de 2.500 participantes esperados para o 53º Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial (WEF) encontrarão neve e frio abaixo de zero no dia 16, data do início da reunião na pequena Davos, a mais de 1500 metros do nível do mar e no alto dos Alpes suíços.

Em altitudes mais baixas, contudo, eles verão lama ou grama onde normalmente, nesta época, haveria neve fofa. É a crise climática - literalmente no meio do caminho para o encontro dos líderes mais poderosos do planeta.

Após anos de alertas, ela deverá estar entre os principais antagonistas na pauta. Descontrolada, desestabilizou os preços dos alimentos ao longo dos últimos meses. Com isso, pressionou a nível global, e ainda mais, a inflação já aditivada pela questão energética que piorou com a guerra na Ucrânia.

Estes, porém, são só uma parcela da longa lista de assuntos espinhosos na reunião que começará semana que vem na Suíça, sob o mote “Cooperação em um mundo fragmentado”.  Como a própria organização do encontro afirma, “o mundo está em um ponto crítico de inflexão” e “pela primeira vez, desde a década de 1970, o equilíbrio é precário, com crescimento e inflação movendo-se em direções oposta”.

Completam o cenário endividamentos soberanos crescentes e a aceleração do preço dos ativos, enquanto as maiores economias do mundo seguem estagnadas e o risco de os países em desenvolvimento enfrentarem desaceleração aumenta.

Junta-se à fragmentação geoeconômica e às vulnerabilidades financeiras, uma maior vulnerabilidade social mundo afora. Justamente quando a população de muitos países acelera rumo ao envelhecimento, aumenta o desemprego e se avoluma uma nova vaga de Covid-19 na China.

Interconectados, sublinha o Fórum, novas ameaças e riscos sistêmicos se somam para reforçar incertezas e fragilidades nesta década, exigindo doses cada vez maiores de resiliência. E se os governos enfrentam imensos desafios, as empresas também.

Enquanto o sistema e as relações de trabalho seguem pressionadas, as companhias precisam “aterrissar” seus esforços de inovação à realidade. Do outro lado, a pressão sobre os profissionais surge na necessidade de rápida requalificação à luz das novas tecnologias.

No fundo desta verdadeira caixa de Pandora, a cooperação – entre países, entre o poder público e a iniciativa privada, entre sistemas tradicionais e inovadores, entre empresas e entre estas e seus profissionais – surge como esperança para se instituir um novo sistema de diálogo necessário a um mundo multipolar e em transição. Davos tem a chance de funcionar como fagulha para a sua ignição.