Contratação: quatro fatores muito valorizados pelos candidatos

Com o apagão de profissionais qualificados as empresas precisam ser cada vez mais estratégicas para não perder candidatos para a concorrência
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Fernando Mantovani — Sua Carreira, Sua GestãoPublicado em 23/07/2021 às 08:30.

Entra ano, sai ano e o desafio de encontrar profissionais qualificados no mercado segue tirando o sono de líderes de diferentes organizações. Durante a sondagem do Match Perfeito, estudo da Robert Half em parceria com o Centro de Liderança da Fundação Dom Cabral, 61% dos 387 recrutadores entrevistados classificaram a missão como difícil ou muito difícil. Muitos deles (62%) acreditam que a situação não deve melhorar, pelo menos nos próximos seis meses.

A natureza da organização na qual atuo há mais de 14 anos me dão razões diárias para concordar que a tarefa realmente não é fácil. Afinal, um profissional qualificado precisa ter mais do que as habilidades técnicas e comportamentais necessárias para o cargo. Espera-se que ele cumpra metas, supere expectativas e atue em sintonia com a missão, a visão e os valores da organização.

Considerando esse cenário, minha recomendação é de que os empregadores mantenham atenção constante aos seus planos de atração e retenção e às oportunidades de otimizar os processos de seleção, com um recrutamento rápido e completo, seja no modelo presencial ou à distância. Mas, claro, sem perder de vista fatores valorizados pelos profissionais na avaliação de uma oportunidade. No momento, a valorização prioritária é por:

1) Aderência do cargo com a experiência prévia

Na opinião de 52% dos desempregados e 39% dos empregados, faz mais sentido aceitar uma oportunidade quando se tem alguma experiência prévia na função ou área. Por isso, é tão importante agregar ao processo seletivo algum profissional capaz de avaliar se o candidato tem real capacidade técnica para desempenhar determinada função. Aqui, eu me refiro a alguém que saiba conversar com ele na linguagem utilizada na área para mapear profundamente essa experiência. Quanto mais estratégico for o cargo, mais essa precaução de recrutamento especializado faz sentido.

2) Aderência à cultura da empresa

Ter afinidade com os valores e os propósitos da organização é um dos principais fatores que atraem os candidatos na hora de avaliar uma proposta de trabalho. Essa é a opinião de 50% dos profissionais desempregados e 37% dos profissionais empregados entrevistados na sondagem do Match Perfeito. É possível começar a mapear o perfil da cultura organizacional da sua empresa, por perguntas simples relacionadas a abertura para receber e avaliar ideias, tipos de métricas para avaliar um bom trabalho, estabelecimento e cumprimento de processos, apetite para inovação e valorização do aprendizado e das pessoas. Isso, apenas para começar.

3) Aderência com a proposta de remuneração

Sem surpresa, ter uma remuneração justa é um dos itens mais valorizados por 43% dos profissionais desempregados e 68% dos empregados. É claro que nem sempre será possível oferecer aos candidatos o montante que eles desejam receber, principalmente quando os valores estão inflacionados ou acima das possibilidades da organização. Seja qual for a situação, é fundamental que a companhia ofereça algo que seja compatível ao praticado pelo mercado e apoie seus argumentos e suas ofertas em dados reais, como os de estudos salariais.

4) Aderência com o desafio proposto

Como mostrou o item anterior, o dinheiro é um motivador dos profissionais a ingressar, permanecer e se movimentar no mercado de trabalho. Mas não é só isso. As pessoas querem produzir, contribuir e sentir que, no final do dia, deixaram algo ou alguém melhor do que encontraram. Por isso, o desafio proposto pela organização é tão importante para 48% dos profissionais desempregados e 41% dos empregados. Também por isso é tão importante que, desde o início, a organização mantenha atenção às oportunidades de abrir espaço para que os profissionais coloquem em prática suas habilidades e paixões por meio de projetos e ações que agreguem valor à sua carreira, enquanto contribuem para o crescimento do negócio.

O apagão de profissionais qualificados no mercado é uma situação que acompanho há algum tempo e que, infelizmente, não acredito que vá se reverter em um futuro próximo. Sendo assim, o mais estratégico é seguir cuidando bem de quem já está dentro de casa, sempre de olho nas tendências de atração e retenção e com a estratégia e os parceiros certos para garimpar o mercado.

Aqui neste Blog, você encontra outros artigos sobre carreira, gestão e mercado de trabalho. Também é possível ter mais informações sobre os temas na Central do Conhecimento do site da Robert Half.

*por Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half para a América do Sul e autor do livro Para quem está na chuva… e não quer se molhar