As lições do mundo do trabalho em 2022

ESG, saúde mental e trabalho híbrido são alguns dos temas que seguirão em alta, trazendo desafios e oportunidades para empresas e profissionais
 (J_art/Getty Images)
(J_art/Getty Images)

Por Fernando Mantovani

Entre os inúmeros compromissos e rituais que acontecem em dezembro, um dos mais produtivos, a meu ver, é realizar um balanço do ano que está prestes a terminar. Esse exercício de revisão e análise serve tanto para profissionais quanto para as empresas, e oferece uma chance de compreendermos em profundidade as experiências positivas e negativas vividas ao longo dos últimos doze meses. Mais do que relembrar o passado, a atitude reflexiva nos prepara para o futuro que desejamos construir.  Não raramente, percepções geradas no calor da hora se modificam e nos surpreendem quando refeitas com distanciamento. Uma promoção, uma demissão, metas atingidas ou não, imprevistos com colegas, dificuldades para engajar os funcionários e tantas outras questões relevantes, ganham um novo significado se avaliadas com tranquilidade. Olhar para trás, sem o peso das emoções, é um modo de incrementar o próprio aprendizado e de se inspirar para fazer melhor. Nesse balanço, é fundamental incluir as tendências e as inovações que marcaram a cultura corporativa e o mercado de trabalho durante o período. Afinal, elas sinalizam o que vem sendo mais esperado e valorizado pelos profissionais e empresas. Essa agenda muda constantemente e acompanhá-la contribui para a evolução na carreira e para o sucesso das companhias. Exemplo: se antes a regra era não levar problemas pessoais para o escritório, agora cuidar da saúde mental no trabalho é primordial. Hoje, o escritório pode ser a mesa da sala de jantar e não um espaço delimitado na empresa.

Tendências e inovações que vieram para ficar

Destaco, a seguir, temas que nortearam a conduta e o interesse de empregados e de empregadores em 2022 e certamente permanecerão no centro das atenções de ambos em 2023:

  • ESG – As práticas Environmental, Social and Governance ganharam uma dimensão maior do que os temas que elas abrangem (sustentabilidade, diversidade, inclusão, entre outros). O ESG é um fator de atração e retenção de talentos, pois os profissionais querem trabalhar em empresas comprometidas com a preservação do planeta e melhorias na vida das pessoas.

Tornou-se frequente candidatos em entrevista de emprego perguntarem a respeito do assunto e aceitarem ou não a vaga em função desse diferencial. Além disso, por ser uma área nova, o ESG oferece oportunidades de trabalho promissoras, que requerem qualificação.

  • Saúde mental – Ansiedade, depressão, burnout e outros transtornos mentais entraram de vez para a pauta corporativa com a pandemia e não sairão tão cedo. A consciência de que um corpo saudável depende de uma mente sã, e vice-versa, virou senso comum.

Falta, porém, mais empresas apoiarem seus times com iniciativas destinadas à conquista de qualidade de vida e de bem-estar emocional e mental. Algumas já saíram na frente e oferecem serviços de psicólogos, yoga, meditação e similares. Além do mais importante, é claro: promover cargas de trabalho equilibradas e segurança psicológica para que o profissional execute seu papel da melhor forma possível.

  • Trabalho híbrido – Mesclar home office e trabalho presencial é uma solução esperada por muitos profissionais qualificados e praticada por várias empresas. Assim como o ESG, esse é outro tema que define a escolha de candidatos que estão em processos seletivos. Uma organização que ofereça apenas o modelo convencional, e sem qualquer justificativa plausível para isso, com certeza estará em desvantagem no mercado.

O modelo de trabalho híbrido é uma excelente alternativa para equilibrar a convivência “real”, que considero indispensável, com o trabalho remoto.

  • Quiet quitting – Esse termo significa demissão silenciosa, em português. Embora tenha ocupado bastante os holofotes em 2022, por muitas vezes o quiet quitting foi mal compreendido. Ao contrário do que se dá a entender, a expressão não se refere a um processo de abandono do emprego, mas a ser fiel à descrição do cargo ocupado, sem fazer mais do que o esperado, trabalhando mais horas ou assumindo outras responsabilidades, por exemplo.

A ideia é que, atendo-se ao que o cargo requer oficialmente, evita-se a sobrecarga de pressão e seus possíveis desdobramentos negativos (doenças, exaustão, perda da produtividade, etc). E, claro, mantém-se o equilíbrio entre as esferas profissional e pessoal. Faz todo o sentido que essa filosofia continue em voga no próximo ano. As lições de 2022 apontam para a importância de cuidarmos e sermos cuidados, para alcançar uma vida saudável, produtiva e equilibrada. Que empresas e profissionais possam levar essa sabedoria para 2023 e praticá-la cada vez mais. Aqui, neste Blog, você encontra outros artigos sobre carreira, gestão e mercado de trabalho. Também é possível ter mais informações sobre os temas na Central do Conhecimento do site da Robert Half. Se você gosta de podcasts, não deixe de acompanhar o Robert Half Talks.

*Fernando Mantovani é diretor-geral da Robert Half para a América do Sul e autor do livro Para quem está na chuva… e não quer se molhar