Fake news. O termo é cool, mas a atitude não.

Existe ainda um longo caminho a percorrer pelas empresas para a construção de um relacionamento comercial mais verdadeiro e melhor para todos.
 (Nora Carol Photography/Getty Images)
(Nora Carol Photography/Getty Images)
Por Relacionamento antes do MarketingPublicado em 04/04/2022 10:30 | Última atualização em 01/04/2022 13:54Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Por Márcio Oliveira

Este tema não é novo aqui nesta coluna. Já falei sobre isso há alguns anos e resolvi voltar ao tema não só porque acabamos de passar por mais um 1º de abril, mas porque creio que ainda temos um longo caminho a percorrer como empresas e como clientes, para a construção de um relacionamento comercial mais verdadeiro e melhor para todos.

E como diz o título, o tema é Fake News, o novo nome “cool” que a mentira ganhou. Sim, este termo ficou tão forte que tudo hoje que consideramos uma mentira, chamamos de fake news, seja em uma brincadeira ou mesmo quando o assunto é sério, inclusive a ponto de virar até mesmo o nome de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o presidente Bolsonaro, o Inquérito das Fakes News.

Mas apesar do termo ficar “cool” agora, passar informações falsas (ou contar mentiras) está entre nós desde o Jardim do Éden.

E a mentira está tão impregnada nas pessoas, que muitas vezes parece que temos uma relação esquizofrênica com ela, que nos faz hora aceitá-la, hora ignorá-la e hora detestá-la, dependendo de como ela nos afeta, infelizmente. Na verdade, sem querer fazer um trocadilho, deveríamos detestar a mentira sempre, porque nada que for construído com base em uma mentira, por menor e mais ingênua que ela possa parecer, será sustentável ou terminará bem (mesmo que demore). No fundo, todos nós sabemos disso, mesmo aqueles de nós que parecem já ter perdido a sensibilidade para este tipo de sentimento.

Mas o ponto que quero chamar a atenção é que a mentira ou omissão da verdade há muito é uma grande ferramenta da comunicação entre empresas e clientes. Muitas propagandas foram grandes fake news, veiculadas incessantemente em horário nobre e ganhando prêmios em Cannes (algumas inclusive sem serem veiculadas).

Até alguns termos técnicos bonitos foram criados nas estratégias de comunicação, como o “ressaltar mais os atributos positivos” (e omitir os negativos), que foram sendo incorporados por agências e empresas de tal maneira que a mentira era feita até sem que se houvesse tanta consciência disso. Afinal, era ingenuidade e a falta de visão de negócios falar dos pontos negativos do produto, certo?

Sim, durante muito tempo tivemos um grande abuso desta “estratégia”, tanto que a propaganda enganosa (nome antigo das fake news) virou o artigo 67 no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Mas felizmente, parece que conseguimos enxergar no mercado um grande movimento de mudança nisso, com empresas e agências de propaganda explicitamente se posicionando sobre a importância da transparência e da verdade para ao consumidor.

Talvez elas também nem tenham muitas alternativas, já que hoje os próprios consumidores “empoderados” pela tecnologia disponível, mais críticos e exigentes, é que acabam sendo os construtores e divulgadores das suas próprias versões de histórias e cases de relacionamento com as empresas das quais são clientes e não mais elas apenas.

Mas como disse no início e reforço agora, ainda temos um caminho longo a percorrer.