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Petróleo dispara 70% e mercado já revê apostas para a Selic

Disparada do Brent aumenta risco inflacionário e pode levar o Banco Central a reduzir o ritmo de cortes nos juros

 (CSA-Archive/Getty Images)

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Panorama Econômico

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Publicado em 17 de março de 2026 às 22h46.

Por Gustavo Assis, CEO da Asset Bank

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para 17 e 18 de março, ocorre em um ambiente de incerteza internacional crescente. Até poucas semanas atrás, a expectativa predominante no mercado era de um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano. Com a escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo Estados Unidos e Irã, esse cenário começou a mudar. Parte dos analistas já trabalha com a possibilidade de uma redução menor, de 0,25 ponto percentual, ou até mesmo com a manutenção da taxa no patamar atual, caso as pressões inflacionárias externas se intensifiquem.

O principal choque vem do mercado de energia. O barril do petróleo Brent saiu da faixa de US$ 70 no início do ano para níveis próximos de US$ 100, impulsionado pelo risco de interrupções logísticas em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Em momentos de tensão geopolítica, o mercado costuma precificar rapidamente o risco de oferta, e isso se traduz em alta imediata das commodities energéticas.

Para o Banco Central, movimentos dessa magnitude têm impacto direto na avaliação do cenário inflacionário. O petróleo influencia não apenas os combustíveis, mas toda a cadeia de custos da economia. Estudos de transmissão de preços indicam que um aumento de 10% no valor da gasolina pode acrescentar entre 0,20 e 0,25 ponto percentual ao IPCA. A alta do diesel, por sua vez, encarece o transporte de cargas e pressiona o custo de alimentos, insumos industriais e logística. Mesmo sendo um grande produtor e exportador de petróleo, o Brasil não fica imune ao efeito inflacionário doméstico provocado pela escalada da commodity.

Esse novo cenário já começa a aparecer nas expectativas do mercado. O Boletim Focus divulgado em março mostra leve revisão para cima nas projeções de juros para o fim de 2026, enquanto a inflação segue próxima de 4%, acima da meta de 3%. A reação também pode ser observada na curva de juros futuros, que passou a embutir um prêmio maior diante do aumento das incertezas externas. Quando isso acontece antes mesmo da decisão do Copom, significa que investidores estão recalibrando expectativas para um ambiente de maior volatilidade.

A decisão do Banco Central nas próximas reuniões dependerá não apenas da trajetória doméstica da inflação, mas também da evolução do conflito internacional e do comportamento das commodities energéticas. Em ambientes como esse, a política monetária tende a se tornar mais cautelosa. Para investidores e gestores de patrimônio, isso reforça a importância de estratégias capazes de navegar ciclos de juros mais longos e de volatilidade global elevada, combinando diversificação e acesso a estruturas de crédito e investimento mais sofisticadas.