O que é viés de status quo? Entenda o significado nos investimentos

Guilherme Pini mostra quais os caminhos para tomar as melhores decisões e fazer as mudanças necessárias na estratégia de seus investimentos
 (Rudzhan Nagiev/Getty Images)
(Rudzhan Nagiev/Getty Images)
Por Palavra do AdvisorPublicado em 20/06/2022 19:31 | Última atualização em 20/06/2022 19:31Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Por Guilherme Pini, do BTG Pactual Advisors

Ficar na zona de conforto também pode ser uma prática comum entre os investidores. Assim, cabe ao profissional do mercado financeiro ajudá-los a tomar as melhores decisões e fazer as mudanças necessárias na estratégia. Para tanto, é importante saber o que é o viés de status quo.

O que é o viés de status quo?

Status quo é uma expressão em latim que significa “estado atual”. Portanto, corresponde à configuração presente de uma situação e indica a manutenção das condições observadas.

Em termos comportamentais, o viés de status quo está relacionado ao interesse que uma pessoa demonstra em manter a situação na qual ela se encontra; ou seja, é um comportamento que envolve evitar ou impedir que ocorram mudanças no cenário.

Nesse sentido, podemos esperar duas reações principais de uma pessoa: a primeira é evitar tomar decisões que gerem qualquer tipo de mudança. Já a segunda, envolve tomar decisões que deliberadamente ajudem a manter o contexto atual.

Essa prática pode estar alinhada a outros vieses comportamentais. Quem sente maior aversão à perda, por exemplo, pode rejeitar realizar mudanças, com medo de sofrer um revés. Da mesma maneira, quem foge do arrependimento tende a preferir manter as coisas como estão.

Como ele se manifesta nos investimentos?

De modo geral, dizemos que um investidor tem o viés de status quo quando ele evita alterar sua estratégia ou sua carteira de investimentos.

Para entender melhor, imagine um investidor que tem o hábito de aplicar na renda fixa. Diante do viés de status quo, ele tende a permanecer nessa classe, ainda que tenha capacidade ou tolerância ao risco compatível com a renda variável.

Logo, a decisão de permanecer na renda fixa não é racional e, sim, conduzida por um viés comportamental. Como consequência, o investidor deixa de aproveitar oportunidades que poderiam ajudá-lo a alcançar seus objetivos financeiros com mais facilidade.

Outro exemplo é o investidor que opta por manter seus investimentos nas ações de determinado setor ou de uma mesma empresa. Isso pode implicar o desperdício de alternativas mais atraentes e com maior potencial de ganhos. E, ainda, há o risco de perder dinheiro com o investimento. É o caso da empresa que passa a apresentar fundamentos pouco atraentes – como um negócio que fica altamente endividado e que já não é capaz de gerar os mesmos resultados, por exemplo.

Afinal, quando vale a pena alterar a carteira de investimentos?

Um dos motivadores para alterar a carteira de investimentos é a chance de obter resultados melhores no médio e no longo prazo. Se a performance for maior que os custos ou mesmo que possíveis perdas associadas ao processo, a mudança pode fazer sentido.

Além disso, é necessário realizar alterações quando o investidor passa a ter tolerância ao risco ou objetivos diferentes. Afinal, é importante que a carteira contemple as características de quem aloca os recursos.

Qual é a importância de conhecer esse viés?

Ao compreender o comportamento em questão, o Advisor poderá auxiliar seus clientes a reconhecer essa prática e os impactos nas decisões. Ou seja, quando um investidor se mostrar relutante em explorar outras alternativas, ficará mais fácil identificar se a causa está associada a esse viés.

Ao apresentar dados e informações relevantes sobre os investimentos e os impactos que eles podem causar ao investidor, o cliente poderá se sentir mais preparado para tomar decisões que modifiquem o portfólio de investimentos.

Se você quiser continuar entendendo como identificar esse e outros padrões de comportamento, continue acompanhando os insights exclusivos  do BTG Pactual Advisors!