Publicado em 28 de abril de 2026 às 14h51.
Última atualização em 28 de abril de 2026 às 18h48.
Em um cenário onde a responsabilidade social, ambiental e de governança (ESG) deixou de ser apenas um discurso sem prática e se consolidou como pilar estratégico para grandes corporações, a intersecção entre impacto social e um projeto de conteúdo com propósito se revela uma das frentes mais promissoras.
No Brasil, essa tese ganha um exemplo de sucesso e escala com a série documental "Viver é Raro", que estreia sua terceira temporada no Globoplay e tem a realização da Casa Hunter. O projeto, idealizado pela Inpress Porter Novelli e coproduzido pela Vbrand e Cinegroup — transcende o entretenimento ao redefinir a narrativa e a mobilização em torno das doenças raras no país.
No contexto global de streaming, "Viver é Raro" se destaca como um conteúdo inédito e uma série de ineditismo, sendo o único projeto com três temporadas focado em pacientes e liderado por uma instituição como a Casa Hunter. O modelo desenhado ao longo de quatro anos é o de entretenimento de impacto baseado em cocriação, o que garante continuidade, relevância e impacto real. “Viver é Raro” teve a primeira e a segunda temporada vendidas internacionalmente para a Europa, Ásia e para os Estados Unidos.
Com mais de 13 milhões de brasileiros vivendo com alguma das mais de 7 mil doenças raras catalogadas, a necessidade de conscientização e ação é urgente. Considerando familiares e cuidadores, esse impacto ultrapassa 50 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, o país conta com cerca de 350 geneticistas e poucos centros especializados, o que limita o diagnóstico e o manejo adequado desses pacientes.
Visando essa realidade que existe tanto no Brasil e também no mundo afora, a série atua como a ferramenta de mídia que transforma essa urgência em visibilidade e, mais importante, em influência de políticas públicas. Seu impacto transcende barreiras, ultrapassando as fronteiras nacionais e as métricas tradicionais de audiência.
Na sua segunda temporada, foi a produção documental não original mais assistida em uma plataforma de streaming renomada no período de lançamento – um feito notável, considerando que ocorreu em pleno período olímpico. Isso demonstra que, quando o entretenimento encontra uma causa autêntica e relevante, ele adquire a força de marcas culturais com potencial de expansão, capaz de gerar engajamento massivo.
Como veículo de educação pública, ela é fundamental para quebrar o isolamento das famílias afetadas e informar a sociedade e os profissionais de saúde sobre o diagnóstico tardio, um dos maiores desafios das doenças raras.
A força da terceira temporada da série está nas sete histórias reais de vidas transformadas, que dão voz à causa das doenças raras e reforçam a importância do diagnóstico precoce e da construção de políticas públicas mais eficazes. Entre as condições retratadas estão a lipodistrofia congênita generalizada, a ataxia de Friedreich, a amiloidose por TTR, o mieloma múltiplo, a doença de Tay-Sachs, a síndrome de Dravet e a glomerulopatia por C3 (C3G).
Um dos principais desafios abordados é o acesso a tratamentos, além da necessidade de incluir o tema do diagnóstico precoce nas políticas públicas de forma transversal. Isso inclui o enfoque na educação permanente dos profissionais de saúde da atenção primária e na criação de protocolos de triagem e suspeição clínica mais eficientes.
O objetivo final é que o público reconheça não apenas a vulnerabilidade, mas, sobretudo, a extraordinária capacidade humana de adaptação, resiliência e a busca legítima por dignidade e acesso a direitos fundamentais, como diagnóstico preciso e tratamento adequado.
A Casa Hunter, organização fundada em 2013, tem reconhecimento internacional ao integrar o NGO Branch das Nações Unidas e o Rare Diseases International (RDI). Suas iniciativas incluem o Day Hunter, que oferece atendimento multidisciplinar ágil e humanizado, e a Casa dos Raros, um centro de referência em diagnóstico e cuidado para pessoas com doenças raras.
"Viver é Raro" é a prova de que o entretenimento transcende a mera distração, atuando como uma poderosa ferramenta de comunicação e transformação social. A série é capaz de impactar vidas, influenciar políticas públicas e se consolidar como um case exemplar de investimento em ESG. Ao colocar a cultura a serviço da vida, o projeto demonstra que investir em histórias reais no segmento de doenças raras é investir em um futuro mais inclusivo.