Rodovia BR-277 do Paraná (Reprodução/Reprodução)
Colunista
Publicado em 4 de julho de 2026 às 06h01.
O Brasil precisa mudar a forma como pensa a infraestrutura. Mais do que inaugurar novas obras, o desafio é garantir projetos duradouros, eficientes e capazes de gerar retorno para a população. Hoje, o país ainda investe abaixo do necessário. Em 2025, os aportes em infraestrutura alcançaram cerca de R$ 277 bilhões, o equivalente a apenas 2,21% do PIB — percentual muito distante dos 4% considerados essenciais para enfrentar os gargalos históricos do setor. A expectativa para 2026 é de crescimento, mas o ritmo ainda não acompanha o tamanho das necessidades do país nem o desafio de sustentar um ciclo consistente de desenvolvimento econômico.
O problema não é apenas financeiro. O Brasil convive há décadas com falhas crônicas de planejamento, excesso de burocracia, insegurança jurídica e baixa capacidade de execução. A lógica política também contribui para o desperdício. Muitas vezes, governos priorizam o anúncio de novas obras em vez da conclusão das antigas. O resultado é conhecido: obras paralisadas, baixa produtividade e desperdício de recursos públicos.
Essa lógica precisa mudar. E é justamente nesse contexto que o investimento verde ganha cada vez mais protagonismo. Obras sustentáveis exigem mais planejamento técnico, maior qualidade dos materiais e visão de longo prazo. Isso reduz custos futuros com manutenção, aumenta a resiliência climática e melhora o retorno social dos investimentos públicos. O desafio do Brasil não é apenas construir mais. É construir melhor.
O Paraná se tornou um dos principais exemplos de que esse caminho é possível. O estado consolidou, nos últimos anos, uma estratégia consistente baseada em planejamento e inovação na infraestrutura pública. Não por acaso, o Paraná lidera o pilar de Sustentabilidade Ambiental do Ranking de Competitividade dos Estados – Eleições 2026, do CLP, levantamento que mede a performance dos estados em áreas primordiais nos últimos três anos.
O exemplo paranaense chama atenção porque vai além do discurso ambiental. O estado estruturou uma política pública de incentivo à pavimentação em concreto, associando sustentabilidade, desenvolvimento econômico e maior durabilidade das obras rodoviárias. Por meio de um convênio, o estado autorizou a isenção de ICMS sobre cimento destinado à pavimentação de estradas e vias públicas estaduais, zerando uma alíquota de 19,5% sobre o insumo e reduzindo diretamente o custo das obras rodoviárias.
A medida foi internalizada via decreto, que prevê benefício válido até 2027, limitado a 884.990 toneladas de cimento, com acompanhamento técnico e monitoramento de indicadores econômicos pela Secretaria de Infraestrutura e Logística.
Na prática, o Paraná criou um ambiente institucional capaz de incentivar obras mais duráveis, reduzir custos de manutenção no longo prazo e ampliar a eficiência do investimento público. A pavimentação em concreto possui maior vida útil, reduz necessidade de intervenções frequentes e melhora o desempenho logístico das rodovias. Isso significa menos desperdício de recursos públicos e maior capacidade de planejamento de longo prazo.
O estado também avançou em concessões, modernização logística, gestão ambiental e atração de investimentos privados. O diferencial está justamente na continuidade administrativa e na capacidade de transformar planejamento em política pública efetiva. O Paraná entendeu que sustentabilidade e competitividade caminham juntas.
Para ampliar os investimentos e melhorar a qualidade da infraestrutura nacional, o Brasil precisa fortalecer o planejamento de longo prazo, ampliar o uso de dados e evidências na formulação de políticas públicas, incentivar parcerias público-privadas e priorizar obras mais resilientes e sustentáveis. O objetivo é reduzir desperdícios, aumentar a eficiência dos investimentos e garantir maior durabilidade para a infraestrutura brasileira.
Infraestrutura de qualidade não é a obra mais rápida. É a obra que dura. É a obra que reduz desigualdades, melhora a produtividade e prepara o país para os desafios climáticos e econômicos do futuro.
O Paraná mostra que esse caminho é possível. O Brasil agora precisa decidir se continuará desperdiçando recursos em obras que envelhecem rápido ou se finalmente fará da infraestrutura uma política de Estado baseada em planejamento, sustentabilidade e visão de longo prazo.