(Hirurg/Getty Images)
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 15h02.
Por Amir Somoggi, sócio da Sports Value @sportsvalue_
Futebol brasileiro vive um momento extremamente complicado, com a MP 1.394/2026 que alterou a Lei 14.790, de 2023, sobre a operação das casas de apostas no Brasil.
As Bets investiram mais de R$ 1,1 bi em 2025 nos clubes e ainda outros R$ 3 bi em publicidade em veículos, influencers e redes sociais.
Segundo análise da Sports Value, as casas de apostas representam 34% das receitas de marketing dos clubes que em 2025 foram de R$ 3,2 bilhões. O faturamento total dos clubes passou dos R$ 15 bi em 2025 e as casas de apostas representam em média 8% das receitas geradas.
As receitas de marketing que estavam em R$ 1,4 bi em 2022, aceleraram muito em 2024 e 2025 com os novos contratos das bets em vigor e chegaram aos R$ 3,2 bi no último ano.
O maior desafio da história do marketing esportivo brasileiro. O que virá depois das Bets?
Receita Total X Receitas de Marketing X Patrocínios Bets- 2025 - por R$ milhões
Casas de apostas impactaram muito o crescimento das receitas de marketing dos clubes nos últimos anos.
Números serão impactados negativamente no curto prazo.
Existe saída para a crise
Crise atual, onde os clubes precisam buscar R$ 1,1 bi novos é um desafio sem precedentes, Valores inflacionados dos contratos das Bets inflaram salários, empréstimos e dívidas com contratações.
Segundo dados do último relatório financeiro da Sports Value os TOP 20 clubes de futebol gastaram R$ 6,3 bi em salários e R$ 11,6 bi em custeio do departamento de futebol, que incluem as contratações. A alta foi de 30% somente em 2025.
Muitos clubes usam os altos contratos com as bets como garantia de antecipação de recebíveis, pagando juros altíssimos, e piorando ainda mais sua já débil situação financeira. Futebol brasileiro ficou absolutamente dependente dos patrocínios das casas de apostas.
Até a chegada das bets os clubes negociavam seus patrocínios com grandes marcas, muitas líderes de mercado.
Com a proibição dos patrocínios das bets abre-se uma real janela de oportunidade para o mercado. A atração de marcas de setores como financeiro, meios de pagamento, varejo, tecnologia, veículos, telecom, comida, bebida, saúde e bem-estar, construção, planos de saúde, delivery, streaming, eletroeletrônicos e muitos mais.
Um exemplo recente é o Barcelona com o patrocínio do Spotify, que mudou para sempre o marketing esportivo mundial, com ativações inteligentes e inovadoras.
Spotify levou as bandas e cantores famosos para suas propriedades e o resultado foi impressionante. O impacto fora da bolha do futebol colocou a marca como conteúdo único no mundo, graças a esse patrocínio. A camisa com as bandas no lugar da marca Spotify era vendida como objeto de colecionador a 1.400 euros, contra 170 euros da versão normal.
Nunca uma casa de apostas gerará isso, a mudança precisa vir acompanhada de marcas alinhadas com ativações para todo o público, não apenas para apostadores. Há enorme potencial para os clubes alinharem objetivos de marketing com marcas patrocinadoras com alto impacto.
Tudo depende de como os gestores dos clubes vão abordar as marcas, a criação de projetos com criatividade e impacto real pode acelerar a chegada de novas receitas.
Ir além da pura visibilidade e curtidas em redes sociais. O foco terá que ser engajamento que gere conversão em vendas e principalmente geração de valores positivos para os patrocinadores.
A bola está com o departamento de marketing dos clubes!