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O dia seguinte do M&A mostra por que a cultura corporativa é o ativo mais caro de uma negociação

Empreender em mercados dinâmicos e desafiadores é pilotar uma montanha-russa diária

 (Magnific/Reprodução)

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Publicado em 1 de agosto de 2026 às 10h38.

Última atualização em 1 de agosto de 2026 às 10h39.

Por Greta Paz*

O mercado de fusões e aquisições adora celebrar os números. Fala-se de múltiplos de EBITDA, expansão geográfica, complementaridade de portfólio e sinergia operacional com uma facilidade quase matemática. É compreensível: as planilhas aceitam praticamente qualquer projeção e os gráficos de crescimento sempre encantam investidores. Mas a verdade que poucas salas de reunião admitem a portas fechadas é que contratos de centenas de páginas e auditorias financeiras impecáveis não compram o que realmente sustenta uma empresa no longo prazo: a sua cultura.

Quando iniciamos o processo que consolidou a união da Eyxo com o MCI Group, meu principal foco como CEO não estava apenas nas linhas de transição de sistemas ou nos modelos de integração operacional. O que tirava o meu sono era o capital intangível. Como manter o espírito ágil, disruptivo, a autonomia criativa e o DNA de Empresa B Certificada ao nos fundirmos a uma potência global? Essa é a grande armadilha do crescimento.

A resposta para esse dilema não está em relatórios de consultoria, mas na clareza de propósito da liderança. Muitas lideranças fundadoras confundem "vender o controle" com "perder a própria identidade". Escalar um negócio na América Latina não significa diluir seus valores fundamentais para que eles caibam em um molde corporativo genérico e pasteurizado. Em um mercado tão competitivo, significa exatamente o oposto: usar a musculatura, a capilaridade e o alcance de um gigante global para potencializar e blindar o impacto local.

Crescer dói. Quem empreende sabe que a expansão exige abrir mão de muitas zonas de conforto, descentralizar decisões e demandar uma disciplina quase cirúrgica na governança. No entanto, por tudo que vejo e estudo, o segredo de um M&A de sucesso nunca foi a liquidez financeira que ele gera no dia do anúncio formal à imprensa, e sim a capacidade da liderança de manter o ecossistema humano engajado, motivado e pulsante no "dia seguinte".

Empreender em mercados dinâmicos e desafiadores é pilotar uma montanha-russa diária. Sobreviver, consolidar e ditar tendências exige entender que o maior ativo de uma mesa de negociação não é o valor financeiro que se assina no papel, mas a preservação intransigente da verdade e da cultura que fizeram a sua empresa chegar até ali.

*Greta Paz é empresária internacional e Thought Leadership em narrativas corporativas para negócios