Energia Fóssil, Hidrogênio Verde e desafios globais

O Brasil possui uma excelente matriz elétrica, com 84% renovável e um dos menores custos marginais de geração
'A geopolítica já mudou e a maioria dos países irá buscar ao máximo sua autossuficiência' (Ministério Meio Ambiente/Flickr)
'A geopolítica já mudou e a maioria dos países irá buscar ao máximo sua autossuficiência' (Ministério Meio Ambiente/Flickr)
Por OpiniãoPublicado em 22/03/2022 11:26 | Última atualização em 22/03/2022 11:26Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Por Joaquim Leite 

Nas últimas semanas, mudanças no cenário mundial deixam claro a necessidade de racionalidade sobre produção, fornecimento e consumo de energias fósseis, especialmente óleo e gás. A geopolítica já mudou e a maioria dos países irá buscar ao máximo sua autossuficiência ou segurança de abastecimento confiável e de longo prazo, caminhando assim na direção contraria da rota de redução de emissões de gases de efeito estufa de origem fóssil.

E neste cenário surge o Hidrogênio (H2) Verde, uma molécula com grande capacidade de armazenar energia e que desponta como a principal tendência de opções viáveis para substituição dos combustíveis fósseis, produzido a partir de um processo simples e amplamente conhecido de separar o oxigênio e o hidrogênio da água com uso de eletricidade de fontes limpas e renováveis.

O Brasil possui uma excelente matriz elétrica, com 84% renovável e um dos menores custos marginais de geração. Podemos fazer ainda mais, ampliando exponencialmente a produção das energias limpas: bioenergia, eólica e solar com olhar para o mundo, teremos um potencial várias vezes maior que nossa demanda, ou seja, capacidade de vender energia, seremos assim um dos maiores produtores e exportadores mundiais de hidrogênio verde.

O Potencial brasileiro:

Biogás e Biometano, gerados de forma decentralizada a partir dos resíduos orgânicos, especialmente de suínos, aves, laticínios, cana e aterros sanitários. Podemos produzir volume equivalente a todo gás natural gerado pelas plataformas do Pré-Sal, um Pré-Sal Verde ou 4 vezes o volume do gasoduto Brasil/Bolívia, aproximadamente 120 milhões m3/dia. Além é claro da produção do “subproduto” Biofertilizante.

Eolica e Solar, ainda tem muito a crescer, com destaque para o crescimento recorde de sua geração instalada em 2021, mas gostaria de ressaltar aqui a Eólica Marítima (Offshore), o estudo ambiental do Ibama com base nas melhores práticas da União Europeia, traz um cenário futuro superpositivo.  O potencial é gigantesco, chegando a 1.780 Gw, sendo 700 Gw de alta atratividade. A título de comparação Itaipu tem capacidade de 14 Gw e se considerarmos todas as fontes, o país produziu em 2021 um total 180 Gw.

No caso do Biogás e Biometano, os Ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia lançarão nos próximos dias políticas, programas para fomentar o crescimento do setor, com transformações institucionais, incentivos econômicos e financiamento específicos. Já em relação à Eólica Marítima, o Governo Federal usará políticas para preparar e catalisar a sua implementação. Será célere na elaboração e estruturação dos critérios de licenciamento e racional e rigoroso nas questões ambientais. É importante dar segurança aos investidores por meio de um processo claro e eficiente, acelerarando o desenvolvimento destas fontes de energia de baixíssimos impactos ambientais.

Mais uma vez, o Brasil com projetos e ações de reduções de emissões mostra que é parte relevante das soluções dos desafios climáticos e energéticos globais. Iremos produzir excedente de energia que num futuro próximo viabilizarão a produção de hidrogênio verde para exportação, gerando assim crescimento econômico e geração de empregos verdes aos brasileiros e energia limpa e em grandes volumes para o mundo.