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Análise: A campanha de Flávio Bolsonaro e as recentes pesquisas eleitorais

Trackings internos do PL apontam empate técnico há mais tempo e partido projeta virada em setembro

Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência: senador acumula reveses, como a percepção pública de que ele é responsável pelo tarifaço dos EUA contra o Brasil, sua relação com Daniel Vorcaro e conflitos com Michelle
 (Vittor Sales/PL/Divulgação)

Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência: senador acumula reveses, como a percepção pública de que ele é responsável pelo tarifaço dos EUA contra o Brasil, sua relação com Daniel Vorcaro e conflitos com Michelle (Vittor Sales/PL/Divulgação)

Luiza Stievano
Luiza Stievano

Colunista na EXAME

Publicado em 25 de agosto de 2026 às 17h59.

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Os trackings internos do PL nos últimos dias apontam para um cenário de empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) no primeiro turno, e um empate numérico em um eventual segundo turno. As pesquisas são diárias e chegaram a captar, pontualmente, uma ultrapassagem de Flávio.

O último Datafolha, divulgado na sexta-feira, 21, veio em linha com o esperado e foi considerado positivo pelo entorno de Flávio. A campanha projetava uma redução de 1 ponto percentual na diferença entre as duas lideranças — seja pela alta do senador, seja pela queda do presidente, — em relação à última pesquisa. Nas estimativas para o segundo turno, Flávio se manteve estável com 43% e Lula reduziu de 48% para 47%.

Um cenário em que Flávio perderia pontos estava descartado diante do clima negativo nos últimos dias para a campanha do PT, enquanto o senador não teve nenhuma crise pautando o noticiário. A melhora também era esperada pelo fator Michelle. A ex-primeira-dama compareceu a eventos com Flávio após meses de desavenças e gravou um vídeo ao lado do enteado que foi uma das peças de maior sucesso nas redes, segundo interlocutores do PL.

Nesta segunda-feira, 24, a pesquisa Nexus/BTG trouxe um cenário de empate técnico no segundo turno. O presidente Lula marcou 46% e Flávio Bolsonaro, 45%. A margem de erro da pesquisa é de 2 p.p, para mais ou para menos.

Em 2022, neste mesmo período da campanha eleitoral, a vantagem de Lula, na época oposição, sobre o então presidente Jair Bolsonaro (PL) era de 15 pontos percentuais no primeiro turno, com o petista marcando 47% e Bolsonaro 32%. Já no segundo turno, a diferença era maior ainda, com Lula pontuando 54% e Jair Bolsonaro 37%, um cenário bem diferente do atual.

São esses números e os recentes episódios envolvendo Lulinha, filho de Lula, e Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, que explicam o clima de euforia no núcleo bolsonarista. A expectativa da campanha para as próximas pesquisas de intenção de voto é que uma mudança mais expressiva ocorra após a primeira semana de setembro. Isso porque a campanha aposta no horário eleitoral na TV, que começa em 28 de agosto e contará com forte propaganda anti-lulista.

Desafio histórico

A campanha bolsonarista aposta na possibilidade de um fato inédito nas eleições para presidente da República no Brasil desde a redemocratização. Historicamente, o candidato que chega à frente nas pesquisas de intenção de voto no primeiro turno é eleito no segundo. Uma ultrapassagem na segunda etapa das eleições nunca ocorreu.

O pleito de 2022, porém, marcou uma quebra desse padrão, com a derrota do incumbente — o candidato que disputa a reeleição ao cargo. Em todas as eleições com um governante disputando um segundo mandato -- Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula (PT) e Dilma (PT) -- ele foi vitorioso.

Estratégia para elevar os números

A prioridade da campanha bolsonarista está no estado de São Paulo. Uma vitória de Flávio no reduto já é dada como certa, mas a vantagem de 4 pontos sobre Lula precisa se amplificar para impactar significativamente o cenário nacional. Para isso, há uma forte aposta no prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Nunes, uma vez que a capital historicamente costuma dar mais votos para o PT do que o interior.

No cenário recente, para além do caso Lulinha e de Marcola, a equipe do PL irá explorar também a recuperação judicial das Casas Bahia e acredita que isso pode ter tanto impacto quanto a corrupção em um eleitorado ainda indeciso. A avaliação leva em conta o impacto do caso na vida dos consumidores das Casas Bahia, majoritariamente de classe média e baixa, entre os quais Flávio ainda tem espaço para crescer, segundo as pesquisas.

Segundo a pesquisa Nexus/BTG divulgada ontem, 23% do eleitorado que se considera ‘bolsonarista convicto’ tem renda de um a dois salários mínimos, enquanto 39% — a maior fatia — têm renda superior a cinco salários mínimos.