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Colunista
Publicado em 3 de maio de 2026 às 08h05.
Um Mini totalmente novo foi revelado ao mundo durante o Salão de Paris de 2000. Depois de 5,3 milhões de unidades espalhadas pelo mundo, o modelo original e espartano dava lugar a um hatch mais sofisticado, confortável e luxuoso. Em 26 de abril do ano seguinte, o primeiro exemplar saía da planta de Oxford, na Inglaterra.
O inusitado: era um Mini produzido pela BMW.
Isso porque seis anos antes, a marca alemã comprara o Rover Group, detentor das marcas Mini e Land Rover. Desta, viria a tecnologia para produzir seus próprios modelos off-road (seu primeiro SUV, o X5, estreia em 1999), enquanto o popular carro inglês — agora convertido em marca e rebatizado como MINI — abriria portas para o segmento de carros compactos.
Se o Mini clássico tinha janelas deslizantes para reduzir peso e aumentar o espaço para os ombros dos ocupantes, rodas de 10 polegadas para não invadir a cabine e portas finas com generosos compartimentos internos, o novo Mini apresentava soluções mais condizentes com seus tempos e beneficiadas pelas tecnologias disponíveis. Partida do motor por botão, airbags e controles do rádio no volante eram itens de conveniência e segurança com os quais o original jamais sonhou.
A dupla de motores também era nova. Desenvolvida pela BMW em conjunto com a PSA, era composta por um 1.6 de quatro cilindros, de 90 cv no One e 115 cv no Cooper. A versão mais extrema, John Cooper Works, chegava a 210 cv. Um carro com o conceito do Mini e o toque da engenharia da BMW não poderia entregar outro resultado senão uma sensação ao volante única e altamente divertida, mesmo nas versões de desempenho mais modesto.
Clássico e novo chegaram a conviver, mas apenas por dias, não o bastante para o antigo conhecer os futuros membros da família, como os SUVs Countryman e Paceman, a perua Clubman e o conversível Cabrio.

Seus criadores - Sir Leonard Lord, executivo da BMC que o encomendou, e Alexander Arnold Constantine Issigonis, o engenheiro e designer que o projetou - desejavam um carro compacto moderno, prático e barato. Mas o Mini foi além: bem-sucedido enquanto inovação tecnológica e mercadológica, acabou virando também ícone cultural e lenda do automobilismo.
Como o VW Fusca e o Citroën 2CV — apenas para citar outros modelos longevos —, o Mini é fruto de um contexto político e social. A Inglaterra dos anos 1950 ainda se recuperava dos esforços empenhados na Segunda Guerra Mundial, portanto não havia recursos para modelos genuinamente novos e a compra de automóveis era controlada.
Então, o que os ingleses podiam comprar eram modelos do pré-guerra reconstruídos, geralmente obsoletos, ou os chamados "carros bolha", como o Heinkel Kabine e os Iso, BMW e Romi Isetta. Quando Sir Leonard Lord definiu as diretrizes do Mini, a ordem era fazer um carro pequeno, mas em hipótese alguma um "carro bolha".
Pensado, projetado e desenvolvido num intervalo excepcional de dois anos, o modelo foi lançado oficialmente em 26 de agosto de 1959 em duas "versões": Austin Seven e Morris Mini-Minor. As duas marcas trilharam histórias distintas - a Morris foi fundada em 1919, 14 anos depois da Austin - até 1951, quando se fundiram sob o conglomerado British Motor Corporation.
As diretrizes do projeto foram fielmente atendidas: espaço interno para quatro adultos, dimensões externas compactas, economia de combustível e preço acessível. Em outras palavras, o Mini media 3,05 metros, era equipado com um motor de 848 cc de 35 cv e custava a partir de £ 497.

Ironicamente, o Mini não atingiu o público que mirava. A classe trabalhadora que deveria comprar aquele modelo econômico, barato e de desenho incomum não queriam justamente um modelo econômico, barato e de desenho incomum. Para esses compradores, o Mini não entregava status de modelos maiores. E se era para ser um automóvel popular, ele deveria parecer como tal.
A consequência lógica da rejeição se refletiu nas vendas: foram pouco mais de 116 mil emplacamentos no primeiro ano, muito aquém das expectativas dos executivos da BMC – e do potencial do veículo.
Contudo, se a classe média não entendeu o Mini, os mais abastados, sim. Logo caiu nas graças de celebridades, artistas, roqueiros e gente "cool" da época. A lista de famosos ao volante de um Mini incluía todos os Beatles, o ator e piloto Steve McQueen e a Princesa Grace de Mônaco, entre outros. Foi a virada de mesa: no fim dos anos 1960, mais de dois milhões deles estavam nas ruas e as vendas anuais chegavam a 250 mil unidades.
Nos anos seguintes, o Mini foi construindo família com os modelos Moke, Traveller, Clubman e Countryman, além de passar por customizações e ganhar edições especiais. Nada se comparou, porém, ao sucesso dos modelos criados pelo projetista de carros de corrida John Cooper.
Os primeiros Coopers surgiram em setembro de 1961 oferecendo desempenho superior com um motor que saltava de 848 cc para 997 cc e de 35 para 56 cv, esticando a velocidade máxima de 116 km/h para 141 km/h. E a aceleração até os 100 km/h não tomava mais 30 segundos da vida dos ingleses, mas sim 18 segundos. Câmbio mais curto, suspensões recalibradas e freios redimensionados reforçavam o espírito esportivo.
O Mini atravessou as décadas de 1970, 1980 e 1990 com sutis atualizações estéticas e mais incisivas mudanças mecânicas – essas sobretudo para atender normas de segurança e emissões de poluentes cada vez mais rígidas.