Exposição “Celebrar as Ruas” (Leo Lara/Studio Cerri)
Colunista
Publicado em 23 de julho de 2026 às 11h54.
O mês de julho é marcante na história da Fiat. Foi em 11 de julho de 1899 que Giovanni Agnelli e outros oito empresários fundaram a Società Anonima Fabbrica Italiana di Automobili – Torino, posteriormente simplificada para Fabbrica Italiana Automobili Torino. Em 9 de julho de 1976, desembarcava oficialmente no Brasil com o 147, que em 5 de julho de 1979 se tornaria o primeiro carro a etanol produzido em série do mundo.
Neste julho de 2026, a empresa inaugura em Belo Horizonte (MG) a exposição “Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura”, que segue até 11 de outubro, com entrada gratuita.
Com curadoria do professor de história da arte Yuri Quevedo, do vice-presidente de Design da Stellantis para a América do Sul, Peter Fassbender, e do fundador do Museu da Imprensa Automotiva, Marcos Rozen, a mostra traz também obras de arte, fotografias históricas, vídeos e instalações imersivas, somando mais de 250 peças.
“Em um ano tão representativo para a instituição, que celebra 20 anos ao lado dos 50 anos da Fiat no Brasil, esta exposição conta uma história que pertence a todos nós. Ao percorrer manifestações culturais das últimas cinco décadas, celebramos não apenas uma trajetória da marca, mas principalmente a riqueza da cultura brasileira e sua capacidade de conectar pessoas, tempos e territórios”, reflete Massimo Cavallo, presidente da Casa Fiat de Cultura.
Exposição “Celebrar as Ruas” (Leo Lara/Studio Cerri)
Entre os carros expostos, o de maior valor histórico é o 147 “Cachacinha”, o primeiro carro a etanol do mundo produzido em série. Nos anos 1970, com a crise do petróleo ardendo, a Fiat aderiu ao Proálcool (programa federal para estimular o uso do combustível vegetal) instalando um novo motor 1.3 a etanol no seu hatch. Segundo a empresa, foram produzidas aproximadamente 710 mil unidades do 147 até 1986, cerca de 120 mil delas movidas a etanol.
Desenhado pelo estúdio Italdesign, de Giorgietto Giugiaro, o Uno foi eleito Carro do Ano na Europa em 1984. Naquele mesmo ano, estreou no Brasil nas versões S, CS e SX. Quando saiu de linha por aqui, com a edição especial Grazie Mille, em dezembro de 2013, somava 3.638.669 unidades vendidas no mercado nacional. Uma delas foi o Mille Electronic 1993 que Ayrton Senna deu para Adriane Galisteu, que ainda guarda o presente do ex-namorado.
Outro carro curioso da mostra é o Idea que transportou o Papa Francisco em sua visita ao Rio de Janeiro, em 2013. Avesso a luxos, o pontífice dispensou os modelos mais requintados oferecidos pela marca (Freemont, Linea e Bravo) para ficar com a espartana minivan – o que a empresa não tinha disponível imediatamente.
Recorreu-se então a uma locadora, que depressa colocou à disposição do papa um Idea Attractive 1.4 prata, hodômetro marcando cerca de 24 mil quilômetros rodados, pinçado de um pátio qualquer, em meio a centenas de outros Idea Attractive 1.4 exatamente iguais.
Exposição “Celebrar as Ruas” (Leo Lara/Studio Cerri)
Naquele 22 de julho de 2013, o papa desembarcou no Aeroporto do Galeão e deu de cara com um engarrafamento que o estancou na Avenida Presidente Vargas. Incrédulos, os que passavam por ali partiram pra cima do Idea na ânsia de estabelecer algum tipo de contato com o papa. Daí que surgiram os amassados na carroceria, ostentados hoje como uma espécie de troféu.
Os conceitos Dolce Camper e Mio e um Palio Weekend com autógrafos dos jogadores Seleção Brasileira pentacampeã de futebol também se destacam na exposição.
Depois de 147 e Uno, a Fiat foi pioneira em outros segmentos, como o de picapes compactas. Revelado no Salão do Automóvel de 1978, o 147 Pickup desbravou o caminho para a sucessora Fiorino, em 1988, e dez anos depois para a Strada, que domina esse território há 26 anos.
Exposição “Celebrar as Ruas” (Leo Lara/Studio Cerri)
Com senso de oportunidade apurado, a Fiat se firmou como fabricante de modelos compactos ainda mais em 1980, quando lançou a Panorama. Desenvolvida para o mercado brasileiro, tinha no porta-malas de 669 litros seu grande apelo. Um ressalto no teto de função estrutural, da coluna B para trás, servia para ampliar a capacidade para bagagens - e revelava as gambiarras da Fiat para conquistar território no mercado nacional.
Produzido entre 1994 e 1996, o Uno Turbo foi o primeiro carro nacional equipado com motor sobrealimentado original de fábrica, no caso um 1.4 importado da Itália, com 118 cv e 17,5 kgfm de torque. Capaz de chegar aos 195 km/h de máxima e romper os 100 km/h em 9,2 segundos, foi um dos nacionais mais rápidos da época.
E se o Uno Turbo fizera sucesso, por que não faria um Tempra Turbo? Pouco depois do hatch era lançado o sedã, ainda mais veloz: dotado de um 2.0 8V de 165 cv e 26,5 kgfm de torque, rompia os 100 km/h após 8,2 segundos e alcançava os 200 km/h (segundo a Fiat). A Fiat ainda insistiu no segmento de sedãs médios com o Marea (1998) e Linea (2008), mas sua essência está mesmo nos modelos compactos.

Como o Palio, lançado em 1996, e seu novo hatch: na última segunda-feira (20), Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, confirmou que o próximo modelo da Fiat a ser produzido no Polo Automotivo Stellantis de Betim (MG) atenderá por Argo X – e não Grande Panda, como se chama na Europa.
“A chegada do Novo Argo X dará continuidade ao automóvel de passeio mais vendido pela Fiat no Brasil (atualmente) e representa mais um passo na estratégia de renovação do portfólio de marca. O modelo totalmente novo irá conviver com o Argo atual”, explicou Zola.
O Argo X vem do investimento de R$ 32 bilhões da Stellantis na América do Sul até 2030, que contemplará ainda outros quatro carros inéditos até o fim da década.