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Cabelos ao vento a mais de 300 km/h: como é o novo conversível da Porsche

Inédito 911 GT3 S/C estreia na Europa e já pode ser encomendado no Brasil por R$ 2.060.000

Rodrigo Mora
Rodrigo Mora

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Publicado em 19 de abril de 2026 às 10h02.

Foi no Salão de Genebra de 1999 que o mundo conheceu o 911 GT3, carro que, nas palavras da Porsche, eliminava "de uma vez por todas a divisão entre pistas de corridas e estradas". Corria a quinta geração do 911, denominada 996 e a primeira com motor refrigerado a água.

Sua filosofia era simples: "peso reduzido e o acurado e inteligente acerto de todos os componentes são mais importantes nas pistas de corrida do que o exagero no volume e número de cilindros dos motores".

Naturalmente aspirado, o motor 3.6 seis-cilindros rendia 360 cv a 7.200 rpm, com torque de 37,7 kgfm a 5.000 rpm. Resultado: 0 a 100 km/h em 4,8 segundos, 0 a 200 km/h em 15,8 e velocidade máxima de 302 km/h.

Outras exclusividades em relação aos demais 911 eram a suspensão mais firme e rebaixada em 30 milímetros, molas de competição reguláveis, vidros mais finos e freios maiores. No interior, ar-condicionado, rádio e banco traseiro ausentavam-se em prol da redução de peso.

Em 2003, uma atualização (996.2) estética leve foi acompanhada por um salto no motor, agora com 381 cv e 39,3 kgfm de torque, que levavam o esportivo aos 100 km/h em 4,5 segundos e à máxima de 306 km/h.

Segunda geração

A segunda geração do 911 GT3 também escolheu o Salão de Genebra para estrear, em 2006.  Agora com o motor 3.6 girando a incríveis 8.400 rpm e rendendo 415 cv e 41,3 kgfm de torque, o cupê voltava a arrancar suspiros também quando o assunto era visual.

E esse foi o primeiro GT3 a contar com o Porsche Active Suspension Management (PASM), que permitia regulagens da suspensão e dos amortecedores e também trazia controle de tração. Na cabine, a forração em Alcantara nos bancos passou a ser de série.

Uma revisão (997.2) chegou em 2009, com o motor saltando de 3,6 para 3,8 litros, alcançando assim 435 cv e 43,8 kgfm de torque. Além de mais rápido, o GT3 agora estava mais amigável no dia a dia, graças à elevação do torque nas rotações intermediárias.

Ao completar 50 anos, em 2013, o 911 ganhou de presente a terceira safra do GT3 – que já acumulava mais de 14 mil emplacamentos. Seus números eram estonteantes: 475 cv a 8.250 rpm, 0 a 100 km/h em 3,5 segundos e máxima de 315 km/h.

Destaque nessa geração foi a inclusão da transmissão automatizada PDK, de sete marchas e dupla embreagem, com trocas ascendentes em menos de 100 milésimos de segundo. Outra novidade foi o eixo traseiro esterçante, cujo efeito virtual de um entre-eixos menor ou maior tornava o carro mais arisco ou estável, respectivamente. Em 2017, a versão 991.2 aumentava a cilindrada para 4 litros, chegando a 500 cv.

Sem teto

Para a segunda fase da atual quarta geração – portanto denominada 992.2 –, a Porsche criou o que até então era apenas um devaneio: o GT3 conversível. De acordo com a marca, o 911 GT3 S/C é a única variante aberta da atual linha 911 concebida como um puro dois-lugares – remetendo ao 911 Speedster de 2019; mas, diferente deste, não é um modelo de produção limitada.

A receita de propulsão é a mesma do modelo cupê: motor aspirado de 4,0 litros, de 510 cv e 45,9 kgfm de torque, acoplado a um câmbio manual de seis marchas. São 3,9 segundos até os 100 km/h e velocidade máxima de 313 km/h.

Equipada com atuadores hidráulicos, a capota pode ser aberta ou fechada em aproximadamente 12 segundos, tanto com o veículo parado quanto em velocidades de até 50 km/h. Tanto a moldura dianteira do teto quanto a do vidro traseiro são feitas de magnésio. Capô, para-lamas e portas são de fibra de carbono.

“A motorização altamente emocional do 911 GT3 se expressa de forma ainda mais intensa ao dirigir com a capota aberta em estradas sinuosas. Isso se deve, em grande parte, ao fato de termos conseguido manter o peso do 911 GT3 S/C em apenas 1.497 kg, apesar da capota totalmente automática. Isso representa cerca de apenas 30 kg a mais do que o 911 Speedster da geração 991”, avalia Frank Moser, chefe das linhas 911 e 718.

O modelo acaba de estrear na Europa, mas já pode ser encomendado por R$ 2.060.000.

As raízes do 911 GT3

A intimidade da Porsche com pistas de corrida é bem anterior ao GT3, no entanto. Em julho de 1948, cerca de um mês após ser montado artesanalmente em Gmund, na Áustria, o 356 001 participou de uma corrida em Innsbruck, vencendo em sua categoria.

Com a produção em escala (a partir de 1950 não mais em Gmund, mas em Stuttgart, na Alemanha), proprietários passaram a participar de corridas locais com seus 356 – o que estimulou a Porsche a competir, estreando naquele mesmo ano nas 24 Horas de Le Mans.

O 911 GT3 é um carro de corrida habilitado para rodar nas ruas, tal como fora o 550 Spyder, de 1954, com seu motor central de 1,5 litro e 110 cv e um legado de vitórias em Nurbürgring, Targa Florio e Le Mans.

O mesmo dá para dizer do 904 Carrera GTS, de 1964. Aliás, a partir de 1955, todo carro que tinha motor desenvolvido para competições levava o sobre nome "Carrera". Como o 356 A 1500 GS Carrera, cujos para-choques podiam ser removidos na hora de entrar na pista.

Durante o Salão de Paris de 1972, é apresentado o Carrera RS. Com seu motor 2.7 de 210 cv e seu aerofólio traseiro instantaneamente apelidado de "ducktail", era nada além de um 911S com mais poderes para as corridas. É unanime sua influência sobre o 911 GT3. "Todos os Porsches 911 GT3 são sucessores legítimos do 911 RS 2.7, que foi o mais esportivo e mais desenvolvido Porsche 911 de sua época", já dissera ninguém menos do que Walter Röhrl, bicampeão mundial de rali.