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A história do nome Dakota, primeira picape média da Ram

Modelo empresta nome de antiga picape da Dodge, que foi nacional e teve vida curta

Dodge Dakota: modelo nascido em 1986, nos Estados Unidos (Divulgação/Divulgação)

Dodge Dakota: modelo nascido em 1986, nos Estados Unidos (Divulgação/Divulgação)

Rodrigo Mora
Rodrigo Mora

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Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 10h05.

A recém-lançada Ram Dakota é um bom exemplo de miscigenação no setor automotivo. Suas raízes estão na chinesa Changan F70, a picape por trás da Peugeot Landtrek, que por sua vez deu origem à Fiat Titano, base da Dakota. Vinda de uma italiana baseada numa francesa que nasceu de uma chinesa, ainda por cima a Dakota é Argentina, produzida no polo industrial da Stellantis em Córdoba.

Nada a ver com a Dodge Dakota nascida em 1986, nos Estados Unidos. Que só se aproximou do Brasil na segunda geração, quando a Chrysler (então dona da Dodge) decidiu produzi-la em Campo Largo, no Paraná.

Lançada em julho de 1998 com cabine simples ou estendida e motores 2.5 de quatro cilindros (121 cv) ou 3.9 V6 (177 cv), a Dodge Dakota nacional custava entre R$ 22 mil e R$ 32 mil e exalava modernidade diante das rivais Chevrolet S10 e Ford Ranger. No ano seguinte chegava o motor 2.5 turbodiesel, de 115 cv.

A lista de equipamentos soa agora nostálgica: vidros, travas e retrovisores elétricos; direção hidráulica, computador de bordo (instalado em um console no teto) e, o mais noventista de todos, toca-fitas com entrada para carrossel de CDs. Tudo parecia correr bem, e até mesmo uma musculosa Dakota R/T, equipada com motor 5.2 V8 de 232 cv, foi oferecida.

Ocorre que, meses antes do lançamento da Dakota nacional, em 7 de maio de 1998, fora celebrada a união entre Daimler-Benz e Chrysler. Para o então CEO da companhia alemã, Jürgen Schrempp, a fusão de US$ 36 bilhões era um "casamento feito no céu".

Unidas, as marcas Mercedes-Benz, Chrysler, Jeep e Dodge reduziriam custos nos departamentos de compra, venda, contabilidade e pesquisa e desenvolvimento. Havia compartilhamento de motores e plataformas — talvez o mais emblemático carro dessa fusão seja o Chrysler Crossfire, um Mercedes SLK de alma.

A ordem dos nomes da nova empresa, DaimlerChrysler AG, indicava quem detinha as rédeas da relação. E ao que tudo indica os alemães não estavam interessados numa planta no Brasil que jamais chegou aos 40 mil veículos produzidos por ano, como pretendia a Chrysler.

E assim o fim da Dakota nacional foi decretado no dia 19 de abril de 2001. O mais bizarro é que, semanas depois de anunciado seu fim, a Dakota anda ganhou uma versão Quad Cab, de cabine dupla — item no mínimo exótico para uma coleção atualmente.

Tempos depois, diferenças culturais e o mergulho da Chrysler numa crise econômica azedaram ainda mais a união, e em maio de 2007 a Daimler vendeu a Chrysler para o Cerberus Capital Management por US$ 7,4 bilhões.

Isso antes da fusão com a Fiat, iniciada em 29 de dezembro de 2008, dia da assinatura da carta de intenções que dava à empresa italiana 35% da americana e que resultaria na Fiat Chrysler Automobiles — que unida ao Grupo PSA em 16 de janeiro de 2021, formaria a Stellantis.