Como definir objetivos financeiros adequados para cada momento da vida?

Entender nossa realidade financeira é o que nos permite criar um caminho saudável, que respeite nossas limitações e resulte em melhorias constantes
Não tem como a gente começar a falar dessa jornada da vida financeira de outro jeito: o primeiro passo sempre será ter clareza de onde você está nesta estrada (Freepik/Divulgação)
Não tem como a gente começar a falar dessa jornada da vida financeira de outro jeito: o primeiro passo sempre será ter clareza de onde você está nesta estrada (Freepik/Divulgação)
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Meu Acerto

Publicado em 12/11/2021 às 15:00.

Última atualização em 16/11/2021 às 13:54.

Se a sua vida financeira fosse uma estrada, em que ponto dela você estaria? No início dela, quando seu maior objetivo é sair das dívidas, ou em algum ponto mais à frente, quando você já consegue poupar um pouco e colocar seu dinheiro para render?

Ao olhar para o tema da Semana Nacional da Educação Financeira (ENEF), que está sendo realizada desde o início desta semana e segue até o próximo domingo, dia 14, percebemos o quanto é importante promovermos essa reflexão. Planejamento, poupança e crédito consciente. Você não acha que esses três conceitos, que sustentam as discussões que estão sendo promovidas na Semana ENEF, passam a ideia de um caminho a ser percorrido por todo consumidor?

Na nossa visão, pensar na vida financeira como uma jornada não é uma analogia vazia e faz realmente muito sentido. O mais importante de olhar para as suas finanças sob essa perspectiva é entender que, em cada ponto da estrada, existirão objetivos específicos e que você precisa ter clareza de quais passos precisa dar para chegar na próxima parada desse caminho.

Um grande erro que vemos as pessoas cometerem na vida financeira é exatamente definir objetivos que não condizem com a sua realidade e que estão completamente desalinhados com seus hábitos no dia a dia. Isso acaba gerando uma grande frustração e uma constante sensação de fracasso.

“Eu não consigo sair do lugar na minha vida financeira”, é o que muitas pessoas pensam. Será mesmo que você não consegue sair do lugar ou será que você está tentando dar um passo maior do que as pernas? Será que você está sabendo definir as metas adequadas e conseguindo adaptar os seus hábitos para o cumprimento delas? É sobre isso que vamos refletir hoje.

Entendendo o lugar que você está

Não tem como a gente começar a falar dessa jornada da vida financeira de outro jeito: o primeiro passo sempre será ter clareza de onde você está nesta estrada.

Um bom jeito de se atingir isso é por meio de um controle financeiro básico, entendendo quanto entra e quanto sai de dinheiro todos os meses. Sua renda está sendo suficiente para arcar com todos os seus compromissos financeiros? Você tem dívidas? Elas estão comprometendo quanto da sua renda atualmente? Depois de pagar todas as suas contas, sobra quanto da sua renda mensal? O que você faz com esse dinheiro que sobra? Essas são as perguntas primárias que um controle financeiro vai te ajudar a resolver.

É somente a partir deste entendimento que você terá condições de criar um caminho mais saudável, que respeite as suas limitações e te ajude a definir objetivos adequados à sua realidade, mas, ao mesmo tempo, te incentive a dar passos maiores do que os que você dá hoje. Como a gente aprendeu com o Gato da Alice no País das Maravilhas, “pra quem não sabe onde vai qualquer caminho serve”. E, cá entre nós, não dá pra aceitar um caminho qualquer para nossa vida financeira, você não acha?

“Quando olhamos para o comportamento dos consumidores endividados, percebemos que muita gente chega em um cenário de inadimplência porque não tinha essa clareza da própria realidade e acabou assumindo compromissos financeiros maiores do que tinha condições de arcar”, ressalta Pedro Lima, economista e cofundador da Meu Acerto, fintech que disponibiliza uma plataforma de negociação online de dívidas. “E é preciso deixar claro que a inadimplência não tem a ver com displicência ou irresponsabilidade. Ninguém fica endividado porque quer! O endividamento, na maioria das vezes, é fruto da falta de educação financeira ou de situações inesperadas na vida, como o desemprego, contra as quais a gente não tem o hábito se prevenir”, completa.

Traçando objetivos adequados ao seu momento

Como dissemos, o seu primeiro objetivo financeiro sempre deve ser dar um passo à frente de onde você está agora. Se você está vivendo em um cenário de dívidas, por exemplo, seu objetivo deve ser conseguir negociar e quitar esses débitos, reconquistando, assim, a sua liberdade financeira. O seu plano de ação e os hábitos que você vai adotar daqui pra frente devem estar direcionados ao cumprimento desse objetivo. Nesse caso, inclusive, vale a pena buscar soluções de negociação online de dívidas, que te permite fazer todo esse processo de forma simples e sem constrangimento e, ainda, costuma oferecer condições bem atrativas de negociação.

Mas, se você já está em uma parada à frente nessa estrada, conseguindo manter as contas em dia, mas sem ver sobrar nada depois de pagar todos os boletos, aí o objetivo já é outro. “Para alguém que está com as contas em dia mas não está conseguindo poupar, é preciso redefinir prioridades para reduzir gastos ou buscar formas de renda extra. Um ótimo primeiro objetivo nesse sentido é montar a reserva de emergência, que, idealmente, deve ser de cerca de 6 vezes a sua renda mensal atual”, explica o especialista em finanças pessoais do Banco Inter, Joe Ruas.

Para quem está ainda mais adiantado na jornada da vida financeira — contas em dia e reserva de emergência garantida — os objetivos já devem estar ligados a investimentos, que devem ser feitos de forma inteligente, mensurando e minimizando os riscos e buscando fazer o dinheiro render da melhor forma possível.

E, vale ressaltar, essas etapas da jornada podem estar relacionadas a momentos pontuais da nossa vida, como uma transição de carreira (que exige um planejamento financeiro específico e adequado) ou a decisão de morar sozinho, por exemplo. E, independentemente de que ponto da estrada você esteja, é sempre importante pensar nos objetivos de curto, médio e longo prazo.

Joe destaca que as metas de curto prazo são importantes para nos manter com disciplina e motivados a continuar gerindo bem o dinheiro, mas que não podemos perder de vista a busca por dar passos cada vez maiores. “Precisamos ter objetivos de médio e longo prazo para alcançarmos voos maiores, mais difíceis e, por consequência, que nos dão mais prazer ou melhora na qualidade de vida. Além disso, é sempre muito importante que ao traçar os objetivos, a gente estabeleça valores, prazos e a importância de cada um deles, para definir se serão feitos em sequência ou em paralelo”, finaliza o especialista.

No entanto, vale ressaltar, a estrada da vida financeira não é uma linha reta, que garante que a gente caminhe apenas para frente. A nossa situação financeira é circunstancial e se hoje estamos investindo, amanhã podemos estar inadimplentes — e vice-versa. É por isso que esse entendimento da atual realidade é tão importante, porque precisamos estar constantemente revendo rotas e redefinindo objetivos.

Celebrando as pequenas conquistas

Por fim, e não menos importante, é preciso falar sobre a importância de comemorar as pequenas vitórias. Como dissemos, não adianta dar um passo maior do que as pernas e o caminho é mesmo definir cada uma das etapas que serão cumpridas aos poucos. E cada etapa cumprida merece uma celebração!

Ter isso em mente nos ajuda a eliminar a sensação de que estamos estagnados e nos motiva a continuar seguindo em frente. Já imaginou a chance que alguém perde quando está focado em perder 10 quilos e esquece de celebrar cada 500g perdidas? Ou quando define como meta conquistar o tão sonhado diploma e não curte a felicidade de entregar cada prova e concluir cada semestre?

É como a gente costuma dizer por aqui: o destino pode até ser próspero e bem-sucedido, mas de nada vai adiantar se você não se sentir feliz e vitorioso ao longo da jornada!