Debate com presidenciáveis no Fórum da Liberdade (Vini Dalla Rosa/ Fórum da Liberdade)
Instituto Millenium
Publicado em 14 de abril de 2026 às 19h47.
O painel com possíveis candidatos à Presidência da República no Fórum da Liberdade, realizado na última semana em Porto Alegre, foi marcado por críticas contundentes ao atual cenário político e econômico do país, com forte convergência em temas como controle de gastos públicos, segurança e o papel do Judiciário. Participaram dos painéis Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Aldo Rebelo (DC). Lula (PT) e Renan Santos (Missão) também foram chamados, mas não responderam ao convite. Apesar de diferenças de estilo e trajetória, os discursos apresentaram pontos de contato relevantes, especialmente na crítica ao ambiente institucional brasileiro.
Por divergências de agenda, Flávio Bolsonaro se apresentou um dia depois dos demais. Ao abrir sua participação, adotou um tom menos combativo que o usual, afirmando que “o empreendedor no Brasil é um sobrevivente”, ao descrever um ambiente de negócios que, segundo ele, desestimula investimentos. O senador associou o nível elevado de juros ao aumento dos gastos públicos e defendeu medidas como redução da carga tributária e maior segurança jurídica.
Também mencionou a necessidade de centralização de licenciamentos ambientais e criticou o que classificou como excesso de burocracia e insegurança regulatória. Em sua avaliação, o país vive um “cenário catastrófico”, com alto nível de endividamento da população e baixa capacidade de financiamento.
Romeu Zema seguiu linha semelhante, atribuindo os problemas econômicos ao que chamou de “gastança” do governo federal. Para ele, o Brasil enfrenta juros elevados justamente por desequilíbrios fiscais, e por isso defendeu reformas estruturais, como uma nova reforma administrativa e ajustes no sistema previdenciário. Zema também enfatizou sua experiência à frente de Minas Gerais, destacando redução de cargos, controle de despesas e melhora na capacidade de investimentos como evidências de que “existe receita para consertar o Brasil”.
Após o Fórum, Zema e Flávio se reuniram num jantar, dando indícios de uma possível composição entre os dois.
Segurança pública e endurecimento penal ganham destaque
A pauta da segurança pública foi central no debate, com propostas que convergiram para o endurecimento do combate ao crime. Flávio Bolsonaro defendeu o aumento do tempo de prisão para criminosos e criticou decisões judiciais que, segundo ele, enfraquecem a atuação policial. Também mencionou a necessidade de ampliação do sistema prisional e maior rigor contra o tráfico de drogas.
Zema trouxe exemplos de Minas Gerais, afirmando que o controle territorial pelo Estado e a atuação mais firme das forças de segurança são fatores essenciais para atrair investimentos. Citou operações policiais e defendeu uma abordagem mais dura no enfrentamento ao crime organizado.
Como Zema, Ronaldo Caiado também citou sua própria gestão no comando do estado de Goiás, e propôs classificar facções criminosas como organizações terroristas e reforçar a integração entre inteligência, tecnologia e cooperação internacional no combate ao crime.
Um dos pontos mais sensíveis do painel foi a crítica recorrente ao papel do Judiciário, especialmente do Supremo Tribunal Federal. Flávio Bolsonaro defendeu a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF e afirmou que esse tema deve se tornar central nas próximas eleições para o Senado.
Romeu Zema também criticou o que chamou de “governança disfuncional” e cobrou maior protagonismo do Senado em pautas institucionais, sugerindo mudanças nas regras para limitar decisões monocráticas.
Aldo Rebelo foi ainda mais direto, afirmando que o Brasil é “bloqueado” por instituições e corporações, e que o país se tornou “ingovernável” diante da atuação do Supremo. Para ele, mais do que vencer eleições, é necessário “desinterditar o Brasil” para permitir o desenvolvimento econômico.
Educação, crescimento e papel do Estado
Ronaldo Caiado trouxe para o debate o tema da educação como um dos principais entraves ao desenvolvimento, criticando a baixa qualidade do ensino básico e a desconexão entre formação e mercado de trabalho. Ele também defendeu maior responsabilidade fiscal e reforçou que crescimento econômico depende de governança eficiente e respeito ao dinheiro público.
Já Aldo Rebelo destacou o potencial econômico do Brasil, mencionando recursos naturais, energia e capacidade produtiva, mas afirmou que esse potencial é travado por entraves regulatórios e institucionais.
Apesar das diferenças ideológicas e de trajetória, o painel revelou uma convergência relevante entre os participantes: a percepção de que o Brasil enfrenta um problema estrutural de governança. Críticas aos gastos públicos, à carga tributária, à insegurança jurídica e à atuação do Judiciário apareceram de forma recorrente, assim como a defesa de reformas estruturais e maior rigor na segurança pública.
Mais do que apresentar propostas detalhadas, o encontro serviu para sinalizar os eixos centrais que devem orientar o debate político da oposição nos próximos meses, com forte ênfase em economia, instituições e segurança