Qualidade de vida e segurança seguem atraindo brasileiros a Portugal

Com o objetivo de acelerar o crescimento econômico, Portugal tem investido sistematicamente em políticas de atração de investimento estrangeiro
 (Alexander Spatari/Getty Images)
(Alexander Spatari/Getty Images)
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Genoma Imobiliário

13 de dezembro de 2022, 07h04

*por Patrícia Barão e Paulo Casoni

Com o objetivo de acelerar o crescimento econômico, Portugal tem investido sistematicamente em políticas de atração de investimento estrangeiro. A tática está dando certo. Desde 2016, o número de estrangeiros no país aumentou 77% de acordo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Segundo o presidente português, Marcelo Rebelo Sousa, já são mais de 200 mil brasileiros vivendo além-mar, 13% a mais do que em 2020. Em Braga, cidade ao norte - 360 km de Lisboa -, o número de imigrantes saídos do Brasil subiu 137%. Ao todo, os brasileiros representam 29,2% dos estrangeiros residindo oficialmente em Portugal, seguidos de longe por outras nacionalidades. O Itamaraty estima que esse número deve ser ainda maior.

O mercado imobiliário sentiu essa movimentação. Enquanto, na década passada, 11% das aquisições de imóveis residenciais eram realizadas por não-portugueses, agora, este número chega a 17%. Os bairros mais procurados, em Lisboa, têm sido Chiado, Príncipe Real e o entorno da Av. da Liberdade, além de localidades como Estoril, Foz do D’Ouro e Porto.

A JLL tem atendido centenas de brasileiros que estão dispostos a investir, em média, 800 mil euros em imóveis bem localizados e de alto padrão. São pessoas que buscam, essencialmente, qualidade de vida e segurança, sem contar o benefício da língua e o fácil acesso para outros países europeus. Portugal deixou de ser um destino turístico e passou a ser um projeto de vida. A oferta de boas escolas e a saúde pública de qualidade têm feito o país atrair famílias, com planos de residência fixa, o que justifica o alto valor dedicado na compra de casas e apartamentos.

Outro fator que atrai os investidores é o fácil acesso a financiamentos e as baixas taxas de juros para crédito imobiliário, que giram em torno de 2% ao ano. Isso tem feito muito brasileiros optarem por financiar os imóveis a longo prazo, mediante entradas que variam de 40 a 20% do valor total do empreendimento, para se manterem capitalizados.

A previsão para 2023 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de que a economia global desacelere, especialmente, por conta da guerra na Ucrânia. Isso deve fazer crescer a busca por investir em mercados estabilizados e confiáveis, como o mercado português. Assim, em mais um capítulo de uma história secular e construída em conjunto, a nossa expectativa é que a imigração brasileira permaneça pujante. Portugal gosta do Brasil e dos brasileiros. E vice-versa.

 *Patrícia Barão é diretora da divisão residencial da JLL Portugal e Paulo Casoni é diretor na área de Capital Markets da JLL Brasil