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Em Dallas, o futuro chegou: testei o robô motorista e o recepcionista

Como se não bastasse, ao chegar ao hotel, deparei-me com outro robô, agora no lobby — ou melhor, uma robô

Publicado em 21 de abril de 2026 às 09h15.

Última atualização em 21 de abril de 2026 às 11h06.

Ao aterrissar em Dallas, a primeira coisa que fiz foi entrar no aplicativo da Waymo. Já havia me cadastrado há meses, mas o serviço ainda não está disponível na costa leste americana, onde costumo ir com frequência. Portanto, a viagem a Dallas era a chance de finalmente experimentar um carro autônomo. Ocorre que, para a minha decepção, o serviço ainda estava em “soft opening” na cidade. Era preciso entrar numa espécie de fila virtual e aguardar um código de acesso.

Resolvi, então, entrar no chat da Waymo e explicar a situação. Tratava-se de um brasileiro ávido por conhecer o serviço e que passaria apenas 24 horas na cidade. E, ainda, que escreveria um artigo sobre a experiência. Obviamente, não consegui sensibilizar o chatbot. Apesar dos avanços da IA, ainda não inventaram um chatbot capaz de se compadecer com os dramas humanos. E, além de tudo, regras são regras — o jeitinho brasileiro não tem vez na Waymo.

No outro dia, para a minha grata surpresa, recebi uma mensagem com o código. Estava agora apto a usar o serviço. O carro chegou em poucos minutos. Era da marca Jaguar, branco, com câmeras por todos os lados, embutidas na carroceria. Ao me aproximar, conforme orientava o aplicativo, as portas se abriram por meio do bluetooth do celular.

Entrei. Havia um “Bem-vindo, Fernando” na tela do painel. Uma voz suave deu breves orientações; entre elas, o pedido para colocar o cinto de segurança. Partimos. A sensação de estar ali sozinho, à mercê de uma máquina, é difícil de explicar — uma mistura de excitação e receio.

Como uma criança, peguei o celular e comecei a filmar. Ver aquele volante girando de um lado para o outro sem ninguém no banco do motorista é bizarro. O carro seguia impetuosamente. Mantinha uma velocidade constante — nem muito rápida, nem muito devagar —, trocava de pista, fazia ultrapassagens, esperava pacientemente os carros no sentido contrário antes de fazer uma conversão à esquerda; enfim, conheço poucos humanos que sejam tão cuidadosos ao dirigir quanto aquele carro robô.

Por tudo isso, a preocupação com relação a acidentes logo se dissipou. Mas não vou negar que estava levemente apreensivo. E se o carro robô enlouquecesse e saísse em disparada rumo ao desconhecido? E se ele não destrancasse as portas e eu ficasse preso lá dentro? Bem, graças a Deus, nada disso aconteceu. Ao chegarmos perto do hotel, o carro estacionou, destrancou as portas e avisou que havíamos chegado ao destino. Porém, não entrou no longo acesso que levava até o port-cochère do hotel. Deixou-me na calçada — tive que caminhar uns 150 metros. Pelo jeito, a Waymo ainda precisa fazer esse ajuste fino. Provavelmente, por uma questão cartográfica e para evitar confusão, eles limitam os carros robô a transitarem apenas nas vias públicas — um detalhe que não comprometeu o serviço.

Como se não bastasse, ao chegar ao hotel, deparei-me com outro robô, agora no lobby — ou melhor, uma robô. Segundo o funcionário da recepção, a Chloe, como é chamada a robô, atende pelo nome e é usada para ajudar no room service. Ela leva garrafas de água, toalhas, enfim, tudo o que os clientes normalmente demandam em um hotel. A Chloe está integrada a todo o sistema do hotel e circula livremente por todos os seus 30 andares. Quando chega ao quarto para a entrega, ela interfona para o hóspede e avisa que está na porta. Feita a entrega, volta para a base — digo, à recepção — e aguarda a nova tarefa. Ela é incansável, literalmente!

Em menos de uma hora, dei um mergulho em tecnologia e inovação no Texas. Passeio em carro autônomo e robô que atende pelo nome, perambula pelo hotel inteiro e conversa com os hóspedes. Retorno de Dallas com muitas perguntas sobre um futuro que já virou presente: onde é que vamos parar? Qual é o limite da IA e da automação? E, no final das contas, a pergunta mais inquietante talvez não seja o que as máquinas serão capazes de fazer, mas o que caberá a nós, humanos, fazer daqui para frente?