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Aos 59 anos, me rendi a um carro híbrido

É impressionante dirigir um carro elétrico – a suavidade e o silencio dão a sensação de se estar flutuando

Fábrica da Porsche em Leipzig: meio bilhão de euros investidos em carros híbridos | Krisztian Bocsi/Getty Images /  (Krisztian Bocsi/Getty Images)

Fábrica da Porsche em Leipzig: meio bilhão de euros investidos em carros híbridos | Krisztian Bocsi/Getty Images / (Krisztian Bocsi/Getty Images)

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 08h00.

Neste final de ano resolvi, finalmente, trocar de carro. Aposentei a minha velha e boa Ford Edge 2016. Sim, foram dez anos! Nunca fiquei tanto tempo com o mesmo carro — e não me arrependi. Era confortável e praticamente nunca visitava a oficina. Não via motivos para colocar uma dinheirama em cima de um carro novo.

Entretanto, dez anos são dez anos e, ademais, tenho o hábito de fazer longas viagens de carro para o Uruguai — cerca de 750 quilômetros. Estava mais do que na hora de fazer uma renovação. Isso sem falar na pressão dos meus filhos para migrar para um carro híbrido. Depois de muito pesquisar, e da recomendação de um amigo, optei por uma dessas marcas chinesas que estão inundando o mundo. O custo-benefício me pareceu valer a pena — espero não me arrepender…

Como não sou ligado em carros, confesso que comprei sem me aprofundar no tema. Refiro-me aos detalhes do que o carro tem ou deixa de ter. Como falei, confiei na recomendação do meu amigo, fui até a loja e, rapidamente, fechei o negócio. Uns vinte dias depois, a vendedora enviou mensagem para agendar a retirada do veículo.

Cheguei à revenda no dia e na hora combinados. Lá no fundo da loja estava o meu carro, com um laço de fitas vermelho sobre o capô — não lembro de ter visto algo mais brega nos últimos tempos. A vendedora me apresentou então o Anderson, a pessoa que faria a entrega técnica. Perguntei ao Anderson quanto demoraria o processo e ele respondeu: “Uns 65 minutos”. Fiquei intrigado: pra que tanto tempo?

Porém, o Anderson mal havia iniciado a sua apresentação e eu comecei a entender o porquê dos 65 minutos. Apesar de estar acostumado a ver carros elétricos sendo abastecidos nas garagens, nunca havia manuseado um carregador elétrico antes — um wallbox, para os mais íntimos. Para complicar, são dois: o fixo e o portátil.

Depois foi a vez do estepe — ou melhor, do “kit de selante de pneu”, pois não há estepe neste carro que comprei. Com o tal kit - um gel selante e um mini compressor elétrico – se consegue uma autonomia de 80 quilômetros para chegar até a borracharia mais próxima. Carro sem estepe — sinal dos tempos.

Mas, o mais inusitado ainda estava por vir. Quando o Anderson começou a apresentar os recursos eletrônicos do carro, eu senti como se estivesse saindo de uma caverna. Sim, depois de dez anos com a minha velha, boa e analógica Ford Edge, fiquei espantado com os recursos dos carros de hoje.

A tela multimídia é enorme e reúne música, mapas, mensagens, configurações — tudo ali, com resposta rápida. É menos “painel de carro” e mais “tablet grudado no painel”. O carro “enxerga” ao redor, em 360 graus; parece que existe um drone invisível permitindo visualizar com perfeição todo o entorno. No trânsito pesado, ele acelera, freia e para sozinho. Se você mostra sinais de cansaço, ele avisa que talvez seja hora de tomar um cafezinho. Ele também lê as placas de trânsito e alerta se você estiver acima do limite de velocidade; projeta informações importantes diretamente no para-brisa; faz quase tudo por comando de voz… e por aí vai. A lista parecia não ter fim.

Finalmente, saí da revenda pilotando a minha nave, digo, o meu carro. É impressionante dirigir um carro elétrico – a suavidade e o silencio dão a sensação de se estar flutuando. Fiquei reflexivo. Sou do tempo do câmbio manual; da direção mecânica - era preciso ser forte para manobrar; do toca-fitas e da ventarola. Tempo em que ar-condicionado era luxo para poucos e que era preciso girar a manivela para baixar o vidro. Definitivamente, depois desta experiência de comprar um carro novo, não há mais como negar: estou ficando velho...