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Álbum de figurinhas: uma maravilha na era digital

O fenômeno dos álbuns de figurinhas da Copa é poderoso porque une diversão, pertencimento social e surpresa ao abrir cada novo pacotinho

Figurinhas da Copa: álbum de 2026 tem 980 cromos (MARCO BERTORELLO / AFP via Getty Images)

Figurinhas da Copa: álbum de 2026 tem 980 cromos (MARCO BERTORELLO / AFP via Getty Images)

Publicado em 31 de maio de 2026 às 11h26.

WhatsApp, Instagram, TikTok, YouTube, Snapchat, Roblox, CapCut e Discord. Estes foram os aplicativos mais usados pelos adolescentes brasileiros no ano de 2025. Alguns eu nunca tinha ouvido falar, mas meu filho de 12 anos confirmou que existem — e que são extremamente populares entre a garotada.

Como pai de adolescente, o tema me interessa e, mais do que tudo, me tira o sono. O uso excessivo das telas é, sem nenhuma dúvida, uma das maiores — senão a maior — aflições dos pais de crianças e adolescentes. As preocupações vão do desenvolvimento físico, cognitivo e social até, obviamente, o acesso a conteúdos indevidos e, talvez o maior dos temores, a exposição a abusadores.

“A geração Z — nascidos entre 1997 e 2012 — foi a primeira a passar pela puberdade com um portal no bolso, que os afastava das pessoas próximas e os atraía para um universo alternativo, empolgante, viciante e inadequado para crianças e adolescentes. Esta geração passou muito menos tempo brincando, conversando ou convivendo com amigos e parentes, o que reduziu suas interações sociais presenciais, essenciais para o desenvolvimento humano”, afirma Jonathan Haidt, autor do livro A Geração Ansiosa.

A obra de Haidt é leitura obrigatória para quem deseja ter uma visão abrangente dos impactos que o uso desenfreado das telas pode causar na formação das crianças. É importante deixar claro que não faço nenhuma apologia contra as tecnologias — muito pelo contrário. Tampouco se trata de uma visão saudosista de quem cresceu brincando na rua com carrinho de rolimã, jogo de botão e esconde-esconde pela vizinhança. Bons tempos.

É evidente que esses tempos não voltarão e que as telas, além de inevitáveis, desempenham um papel fundamental na socialização, no acesso à informação e no desenvolvimento acadêmico e profissional das novas gerações. Porém, não se pode tapar o sol com a peneira: limite e supervisão são fatores fundamentais dessa complexa equação.

Por tudo isso, me surpreende positivamente quando vejo a febre em torno do álbum de figurinhas da Copa. Afinal, existe algo mais analógico do que ir à banca, abrir ansiosamente um pacotinho de figurinhas e colá-las, uma a uma, no álbum? Isso sem falar nas trocas.

Que maravilha ver aquele aglomerado de crianças, adolescentes — e adultos também — nos shoppings ou nas praças, junto às bancas de revista. Cada um com seu maço de figurinhas repetidas interagindo uns com os outros para fazer trocas. É como entrar em um túnel do tempo. Um tempo em que não havia internet, celular ou TikTok, e em que era preciso esperar para assistir ao programa favorito em um dos poucos canais disponíveis na televisão.

O fenômeno dos álbuns de figurinhas da Copa é poderoso porque une diversão, pertencimento social, competição, excitação e surpresa ao abrir cada novo pacotinho. Além disso, oferecem uma experiência física, presencial e interativa — algo tão importante e, infelizmente, cada vez mais incomum na era digital.