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Por que a educação executiva pode decidir o futuro da economia brasileira

Ao Papo de Tubarões, Glaucia Guarcelo, CEO da HSM, SingularityU Brazil e Learning Village, explica por que conectar ciência e empresas pode ser decisivo

 (Divulgação)

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Cris Arcangeli
Cris Arcangeli

CEO da beuty'in

Publicado em 12 de março de 2026 às 15h35.

O maior desafio do Brasil talvez não seja produzir conhecimento, mas transformá-lo em crescimento econômico

“Se a educação executiva fizer bem o seu trabalho, ela pode aumentar o PIB de um país.”

A frase de Glaucia Guarcelo, CEO da HSM, da SingularityU Brazil e do Learning Village, a convidada dessa semana do nosso podcast Papo de Tubarões, pode soar ambiciosa. Mas ela sintetiza um debate central para o futuro da competitividade brasileira: a distância entre conhecimento produzido e inovação aplicada.

Hoje o Brasil ocupa aproximadamente a 14ª posição global em produção científica, com mais de 70 mil artigos publicados por ano. Ainda assim, o país aparece muito mais atrás quando o tema é inovação e produtividade.

O paradoxo é conhecido: universidades produzem conhecimento relevante, mas empresas nem sempre conseguem transformar essa produção intelectual em novos produtos, tecnologias e modelos de negócio. Segundo Glaucia, essa desconexão histórica entre academia e mercado representa um dos principais gargalos estruturais da economia brasileira.

“O Brasil produz ciência, mas ainda transforma pouco desse conhecimento em inovação aplicada”, afirma.

A consequência aparece em indicadores econômicos. O país investe cerca de 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, enquanto a média dos países da OCDE gira em torno de 2,7%. Economias mais inovadoras, como Coreia do Sul e Israel, ultrapassam 4% do PIB.

Em um cenário global cada vez mais orientado por tecnologia e produtividade, essa diferença ajuda a explicar por que muitos países conseguem transformar conhecimento em crescimento econômico com muito mais velocidade. É nesse contexto que a educação executiva ganha relevância estratégica.

À frente da HSM, empresa de educação corporativa pertencente ao Grupo Ânima, Glaucia defende que programas voltados para executivos podem funcionar como uma ponte entre conhecimento acadêmico e decisões empresariais.

A ideia é simples: traduzir ciência, tecnologia e pesquisa em estratégia de negócios. Na prática, isso significa aproximar pesquisadores, empreendedores e líderes corporativos em ambientes de aprendizado contínuo. Um exemplo desse modelo é o Learning Village, hub de inovação localizado em São Paulo que reúne empresas, universidades, startups e especialistas no mesmo ecossistema. O objetivo é acelerar o fluxo de ideias entre ciência e mercado.

“Nosso papel é conectar mundos que historicamente não conversam o suficiente”, informa.

Essa conexão ganha ainda mais importância em um momento em que a transformação tecnológica acelera em escala global. A revolução da inteligência artificial está redefinindo o mercado de trabalho em velocidade inédita.

Estudos do World Economic Forum indicam que cerca de 40% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar até 2030. Já análises da McKinsey & Company apontam que tecnologias baseadas em IA podem impactar até 60% das ocupações atuais.

Isso não significa necessariamente substituição total de profissionais, mas sim uma transformação profunda das competências exigidas pelas empresas. Nesse cenário, a capacidade de aprender continuamente passa a ser um dos principais ativos de carreira.

“Quem não aprender a trabalhar com inteligência artificial corre o risco de ser substituído por quem aprendeu”, diz Glaucia.

Para executivos e líderes empresariais, isso significa lidar com transformações tecnológicas que ocorrem em ciclos cada vez mais curtos. Estratégias definidas em horizontes longos podem se tornar obsoletas rapidamente.

Apesar dessa velocidade de mudança, a educação formal evolui em ritmo muito mais lento. Grande parte das instituições educacionais ainda opera com modelos pedagógicos concebidos durante a Revolução Industrial, quando o objetivo principal era preparar profissionais para tarefas previsíveis e repetitivas.

O mercado atual exige exatamente o oposto: capacidade de adaptação, pensamento crítico, domínio tecnológico e aprendizado contínuo. Esse descompasso entre o ritmo da educação e o ritmo da inovação afeta diretamente a produtividade das empresas. Segundo estimativas do Banco Mundial, ganhos de capital humano estão entre os fatores mais determinantes para o crescimento econômico sustentável no longo prazo.

Em outras palavras: países que investem em formação de talentos tendem a inovar mais, crescer mais e gerar empregos de maior valor agregado.

Outra ideia central defendida por Glaucia é a importância do chamado foresight estratégico. Em vez de tentar prever um único futuro, empresas precisam se preparar para múltiplos cenários possíveis. Essa abordagem tem ganhado espaço em um ambiente global marcado por:

  • disrupções tecnológicas
  • mudanças geopolíticas
  • transformações rápidas no mercado de trabalho

Executivos passam a trabalhar menos com previsões lineares e mais com estruturas flexíveis de decisão. Isso exige um tipo diferente de liderança, menos baseada em controle e mais baseada em aprendizado e adaptação.

Conhecimento como ativo econômico

O pano de fundo de toda essa transformação é uma mudança estrutural na economia global. Se no século XX os principais ativos das empresas eram fábricas e infraestrutura, no século XXI o ativo mais valioso passou a ser conhecimento. Países capazes de transformar ciência em inovação criam empresas mais competitivas, empregos mais qualificados e maior crescimento econômico.

Nesse cenário, a educação executiva deixa de ser apenas uma etapa complementar da carreira e passa a funcionar como uma engrenagem estratégica de produtividade. Para Glaucia, a pergunta central para o futuro da educação corporativa não deveria ser apenas quantas pessoas são treinadas, mas qual impacto esse aprendizado gera na economia.

“Talvez o principal indicador de sucesso da educação executiva seja quanto de PIB adicional ela consegue gerar para um país”, disse.

A transformação digital, a inteligência artificial e a economia do conhecimento estão redesenhando as bases da competitividade global. Empresas capazes de aprender mais rápido tendem a inovar mais rápido. E países que conseguem transformar conhecimento em valor econômico ampliam sua vantagem competitiva.

Nesse contexto, a educação executiva pode assumir um papel que vai além da formação de líderes. Ela pode se tornar uma das pontes mais importantes entre ciência, tecnologia e crescimento econômico. Se essa conexão funcionar, o impacto não será apenas nas empresas. Será na produtividade de toda a economia.

Enfim, este episódio está imperdível e nele eu e Glaucia debatemos alguns temas, entre eles:

  • como inteligência artificial está redefinindo o futuro do trabalho
  • por que a educação tradicional evolui mais lentamente que a tecnologia
  • como conectar ciência, inovação e estratégia empresarial
  • por que capital humano é um dos principais motores do crescimento econômico
  • e como empresas podem se preparar para um mundo cada vez mais imprevisível

A conversa completa com Glaucia Guarcelo, CEO da HSM, SingularityU Brazil e Learning Village, está disponível aqui. (Link)

O episódio vai ao ar toda quarta-feira no canal @crisarcangeli no YouTube.

Para quem acompanha transformação digital, liderança e inovação, é uma oportunidade de entender como educação e tecnologia podem redefinir a competitividade das empresas, e do país.

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