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O que a minha sexta Copa do Mundo me ensinou sobre coopetição

Em nenhuma delas presenciei uma briga entre torcidas

Adriano Lima
Adriano Lima

Autor do livro "Você em Ação"

Publicado em 26 de junho de 2026 às 14h51.

Esta é a minha sexta Copa do Mundo. Em nenhuma delas presenciei uma briga entre torcidas.

Sempre me impressionou o contraste. Durante noventa minutos, milhares de pessoas defendem interesses completamente opostos. Cada canto, cada bandeira e cada grito existe para empurrar o próprio país rumo à vitória. Ainda assim, basta o árbitro apitar para que o ambiente volte a ser de respeito, convivência e celebração.

Foi exatamente isso que vivi no jogo entre Brasil e Escócia.

Horas antes da partida, caminhei entre torcedores escoceses. Conversamos, tiramos fotos, brincamos sobre o resultado e compartilhamos a expectativa daquele encontro. Pouco depois, encontrei a torcida brasileira e segui com ela até o estádio. O espetáculo já havia começado muito antes de a bola rolar.

Na arquibancada, dois países. No estádio, uma única festa.

Enquanto observava aquela cena, lembrei de uma conversa recente com Felipe Azevedo, CEO da LG lugar de gente. Ao falar sobre estratégia, ele resumiu um conceito que muitas empresas ainda estão aprendendo.

“Na LG, talvez o melhor exemplo seja nossa relação com a Oracle. Eles são um dos nossos principais provedores de cloud e inteligência artificial e também possuem uma suíte global de HCM. Em alguns espaços competimos. Em outros, cooperamos. No Brasil, combinamos a força global da Oracle com a profundidade local da LG em pagadoria para entregar mais valor ao cliente. Essa é a essência da coopetição.”

Aquela definição ganhou vida diante dos meus olhos. Brasileiros e escoceses competiam intensamente pelo resultado. Mas cooperavam, sem perceber, para construir uma experiência inesquecível para todos que estavam ali.

As empresas mais inovadoras do mundo já entenderam que nem toda relação com um concorrente precisa ser de confronto permanente. Em muitos momentos, colaborar fortalece mercados, acelera a inovação e amplia o valor entregue aos clientes. Depois disso, cada organização volta a disputar a preferência dos consumidores com ainda mais competência.

Existe outro exemplo que ilustra bem essa lógica. Todos os dias, empresas competem pelos melhores profissionais. Mas, antes dessa disputa, precisam formar líderes, desenvolver talentos e elevar o nível do mercado. Ao investir nas pessoas, fortalecem um ecossistema que beneficia todos, mesmo sabendo que, amanhã, aquele talento poderá vestir outra camisa.

É exatamente o que acontece no futebol. Clubes formam grandes jogadores. Depois competem contra eles. E, ainda assim, ninguém questiona que um campeonato com atletas melhores é um campeonato mais forte.

Talvez seja esse o verdadeiro significado da liderança. Não vencer enfraquecendo o outro, mas crescer contribuindo para que o ambiente onde todos competem seja melhor.

Ao deixar o estádio, tive a sensação de que a maior lição daquela noite não estava no placar. Estava nas arquibancadas.

Depois de seis Copas do Mundo, continuo sem ter visto uma única briga entre torcidas. Continuo vendo rivais dividindo o metrô, restaurantes, filas, fotos e conversas antes de defenderem seus países durante noventa minutos.

Talvez as empresas ainda tenham muito a aprender com isso. Porque competir é inevitável. Transformar o concorrente em inimigo é apenas uma escolha.