Veja os primeiros 21 dias de uma abelha em 1 minuto

Fotógrafo capta em vídeo o ataque do ácaro Varroa destructor, considerado uma das maiores ameaças à saúde das abelhas
 (Divulgação)
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Vanessa BarbosaPublicado em 25/05/2015 às 16:49.

São Paulo - As abelhas enfrentam, hoje, uma série de problemas que colocam em risco sua existência: pesticidas, perda de habitat, doenças...A lista é crescente. Mas uma das maiores ameaças à saúde destes seres incríveis (responsáveis por 70% da polinização dos vegetais consumidos no mundo) talvez seja um ácaro da Ásia chamado Varroa destructor.  

Este parasita ataca as abelhas jovens em seus primeiros dias de vida e suga seu sangue. Com o sistema imunológico enfraquecido, as abelhas tornam-se mais vulneráveis a estresses e doenças, o que, eventualmente, pode levar colmeias inteiras à destruição. 

Em um projeto que investiga tais ameaças, feito a pedido da revista National Geographic, o fotógrafo Anand Varma resolveu criar abelhas no seu quintal, na frente de uma câmera, para obter uma visão aproximada do desenvolvimento destes polinizadores. 

O resultado foi um vídeo de 64 segundos que revela os 21 primeiros dias de vida de uma abelha (observe que os ácaros aparecem aos 26 segundos do vídeo):

https://youtube.com/watch?v=lMtFYt7ko_o

Durante palestra no TED, realizada neste mês, Varma destacou o empenho dos cientistas em encontrar espécimes mais resistentes ao parasita a partir do cruzamento em laboratório. Mas o resultado às vezes assusta. Muitas das abelhas nascidas do cruzamento perdem características importantes, como sensibilidade ao grupo e capacidade de armazenar mel.  

"E dizer isso dessa forma parece que estamos manipulando e explorando as abelhas e a verdade é que fazemos isso há milhares de anos. Pegamos essa criatura selvagem e a pusemos em uma caixa. Praticamente a domesticamos. Originalmente foi assim para que pudéssemos coletar mel, mas, com o tempo, começamos a perder nossos polinizadores nativos, nossos polinizadores selvagens, e há muitos lugares hoje onde esses polinizadores selvagens não conseguem mais atender à demanda de polinização de nossa agricultura. Essas abelhas manipuladas se tornaram parte do nosso sistema alimentar", diz ele.

"Então, quando as pessoas falam sobre salvar as abelhas, minha interpretação é de que precisamos salvar o nosso relacionamento com elas. A fim de conceber novas soluções, temos de compreender a biologia básica das abelhas. E compreender os efeitos do estresse que às vezes não podemos ver", acrescenta.

"Em outras palavras, temos de compreender as abelhas de perto."