Cigarro eletrônico não é eficaz como “porta de saída” do tabagismo

Novo estudo indica que produto foi 7% menos eficiente como estratégia para largar o cigarro, apesar de ser comercializado dessa forma
 (Rocky89/Getty Images)
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Por Laura PanciniPublicado em 11/02/2022 08:10 | Última atualização em 10/02/2022 13:59Tempo de Leitura: 2 min de leitura

Um novo artigo publicado na revista Tobacco Control, do grupo British Medical Journal, indica que o consumo de cigarro eletrônico com nicotina não é eficaz como estratégia para largar o vício em cigarro.

O vape, como também é conhecido, é comercializado como uma opção menos nociva ao tabaco. Ele é encarado como uma alternativa para aqueles que querem abandonar a nicotina, mas, de acordo com a publicação, foi 7% menos eficaz nisso em comparação com outros produtos.

A pesquisa foi encomendada pelo governo dos Estados Unidos e conduzida por pesquisadores da Universidade da Califórnia. “O aumento de vendas em cigarros eletrônicos com alto teor de nicotina não se traduziu em um número maior de fumantes usando esses produtos para largar o tabagismo”, escreveram. 

Os argumentos de que o cigarro eletrônico seria uma “porta de saída” ou forma de “redução de danos” são usados pela indústria do tabaco como motivo para legalizar o produto, que ainda é proibido no Brasil. Os resultados, portanto, contrariam tais justificativas. 

Para chegar a conclusão, os cientistas analisaram dados de 4.900 fumantes e ex-fumantes desde 2017. O foco foi neste ano em específico porque foi o momento em que as vendas do produto aumentaram, devido a propaganda de que seria mais saudável.

As informações fazem parte do programa PATH (Population Assessment of Tobacco and Health) e incluem tentativas que os voluntários testaram para largar o vício, como chicletes, medicamentos ou o vape.

O que foi descoberto é que, em 2017, um a cada oito dos fumantes analisados afirmaram ter recorrido a cigarros eletrônicos para parar de fumar. O risco de recaída era 7,3% maior entre quem usou vape comparado a medicamentos de abstinência. O número sobe 0,4% em comparação com métodos não farmacológicos. 

Por último, a pesquisa mostra que até aqueles que não tiveram nenhum tipo de ajuda tiveram mais sucesso do que aqueles que usaram cigarro eletrônico.