Uma descoberta astronômica: estrelas podem ter surgido antes do previsto

Com o telescópio espacial Hubble, astrônomos conseguiram observar o mundo 1 bilhão de anos depois da explosão do Big Bang
Estrelas: elas podem ter surgido antes do previsto (Getty Images for National Geographic Magazine/Rogerio Godoi)
Estrelas: elas podem ter surgido antes do previsto (Getty Images for National Geographic Magazine/Rogerio Godoi)
Por Maria Eduarda Cury, Tamires VitorioPublicado em 05/06/2020 18:07 | Última atualização em 05/06/2020 18:22Tempo de Leitura: 2 min de leitura

Quando surgiram as estrelas? E as primeiras galáxias? O telescópio espacial Hubble pode ter ajudado a desvendar as respostas para essas duas perguntas. Com o aparelho, astrônomos europeus conseguiram observar o universo 500 milhões a 1 bilhão de anos depois da explosão do Big Bang.

Na análise, não foi encontrada evidência de uma primeira geração de estrelas nesse período, o que sugere que elas se formaram muito antes do que a humanidade sabia. Conhecidas como Estrelas de População III, as primeiras estrelas surgiram do material que emergiu da explosão que deu origem ao universo. Elas eram constituídas de hidrogênio, hélio e lítio.

O estudo foi liderado por Rachana Bhatawdekar, cientista da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). "Os resultados têm profundas consequências astrofísicas porque mostram que as galáxias devem ter se formado muito antes do que imaginamos", afirmou Bhatawdekar, em nota.

Com um programa especial do Hubble, Bhatawdekar e sua equipe conseguiram observar, de forma profunda, galáxias com até um centésimo dos efeitos gravitacionais do que as já descobertas. As massas das galáxias do primeiro plano, que são as previamente estudadas, são capazes de dobrar e ampliar a luz de objetos que estão atrás delas. Desse modo, o Hubble consegue usar as lupas cósmicas que estão muito além de seu campo de estudo.

Sendo assim, a equipe conseguiu criar uma técnica para remover a luz das galáxias do primeiro plano e descobrir galáxias distantes, que a equipe acredita existir desde quando o universo ainda não tinha comemorado 1 bilhão de anos.

Apesar de ser uma das únicas evidências sobre as galáxias mais distantes e de baixa massa, essa descoberta pode significar que estas galáxias foram responsáveis pela realização da reionização do Universo — isto é, quando o universo deixou de ter carga neutra e passou a ser ionizado.