Tubarão-duende: espécie rara foi registrada viva em seu habitat natural pela primeira vez (Imagem gerada por IA/EXAME)
Redatora
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 14h02.
Uma das espécies de tubarão mais raras e enigmáticas do mundo foi registrada viva em seu habitat natural pela primeira vez. O tubarão-duende (Mitsukurina owstoni), famoso pelo focinho alongado e pela mandíbula retrátil capaz de se projetar rapidamente para capturar presas, foi filmado nas profundezas do Oceano Pacífico por equipes de pesquisa que estudavam a vida marinha de águas profundas.
O registro, descrito em um estudo publicado no Journal of Fish Biology, representa um marco para a pesquisa sobre a espécie, que até então era conhecida principalmente por exemplares mortos capturados acidentalmente por pescadores.
O primeiro avistamento ocorreu em 2019, durante uma expedição da Universidade do Havaí em Mānoa, nas proximidades da Ilha Jarvis, no Pacífico Sul.
Segundo o principal autor do estudo, Aaron Judah, o animal foi identificado posteriormente ao revisar a gravação da transmissão ao vivo feita por uma câmera instalada no Hercules, um veículo subaquático operado remotamente.
Em 2024, uma segunda equipe do Centro de Pesquisa em Águas Profundas Minderoo–Universidade da Austrália Ocidental (Minderoo-UWA) registrou outro exemplar próximo à Fossa de Tonga, utilizando uma câmera com isca instalada em uma plataforma de pesquisa posicionada no fundo do oceano.
De acordo com os pesquisadores, o segundo registro ocorreu em uma profundidade cerca de 700 metros maior do que a faixa onde a espécie era conhecida anteriormente.
O tubarão-duende chama atenção pela aparência incomum. Seu focinho é extremamente longo e achatado, enquanto a mandíbula pode ser projetada para a frente a cerca de 3,1 metros por segundo, permitindo capturar peixes e outras presas antes que consigam escapar.
Os adultos normalmente atingem cerca de 3,6 metros de comprimento, sendo aproximadamente um décimo desse tamanho correspondente ao focinho.
Essa combinação de características fez com que a espécie se tornasse uma das mais peculiares entre os tubarões conhecidos.
Por viver em grandes profundidades, o tubarão-duende raramente é observado por seres humanos. Sua raridade costuma ser comparada à de outros habitantes das profundezas oceânicas, como a lula-gigante e o peixe-fantasma da Fossa das Marianas.
Até hoje, grande parte do conhecimento sobre a espécie se limita aos seus hábitos alimentares e às análises realizadas em animais encontrados mortos.
Nas últimas décadas, houve registros ocasionais de tubarões-duende em regiões como as Ilhas Canárias e a costa do Japão, mas esses avistamentos ocorreram fora de seu ambiente típico e não permitiram observar o comportamento natural da espécie.