Artemis II: astronautas passaram por treinamento para fotografar a Lua (Nasa/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 10 de abril de 2026 às 18h08.
A missão norte-americana Artemis II retorna à Terra nesta sexta-feira, 10.
Após dez dias no espaço, a cápsula Orion se prepara para pousar no Oceano Pacífico e encerrar a primeira missão tripulada à Lua desde o fim do programa Apollo, em 1972.
Se tudo correr bem, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, se tornarão os 25º, 26º, 27º e 28º seres humanos a viajar à Lua e retornar à Terra bem.
A Nasa prevê o pouso da cápsula para às 21h07, no horário de Brasília. Antes disso, uma queima de correção de trajetória ocorreu às 13h53, no horário de Brasília, preparando a nave para a reentrada na atmosfera, segundo a agência espacial americana.
A reentrada será em velocidade de aproximadamente 40 mil quilômetros por hora, expondo o escudo térmico da Orion a temperaturas de até 2.760°C.
Uma sequência de 11 paraquedas em diferentes altitudes desacelerará progressivamente a cápsula, de 520 km/h para 210 km/h, até os três paraquedas principais reduzirem a velocidade para 27 km/h no momento do toque na água, de acordo com a Nasa.
Diversos veículos transmitirão o retorno. No YouTube, a própria NASA fará a cobertura em tempo real, confira:
A agência americana também está fazendo transmissões 24h para quem quer acompanhar a missão.
A Orion pousará no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, na Califórnia. Essa é a mesma região onde a missão não tripulada Artemis I pousou em dezembro de 2022.
A escolha não é por acaso: a cidade abriga a Base Naval de San Diego, maior base da Marinha americana no Pacífico, com 60 navios e mais de 200 unidades de suporte.
O navio USS John Murtha, um transporte anfíbio da Marinha sediado ali, é o responsável pela recuperação da tripulação, segundo informações do governo norte-americano.
Equipes da Guarda Costeira e da NASA cobrem uma zona de pouso de cerca de 880 quilômetros de diâmetro. Após checagens médicas em uma base militar em San Diego, os astronautas seguem para o Johnson Space Center, em Houston, onde estiveram pela última vez em 27 de março.
Sim. A Artemis II durou dez dias, conforme o planejamento original.
A missão decolou em 1º de abril do Kennedy Space Center, na Flórida, e percorreu aproximadamente 1,1 milhão de quilômetros ao longo da trajetória circumlunar. A distância mais próxima da Lua ocorreu na segunda-feira, 6, a 6.545 quilômetros da superfície lunar.
A Artemis II foi concebida como um voo de teste, sem pouso lunar previsto.
O objetivo central era verificar se a espaçonave Orion funcionaria corretamente com tripulação a bordo em ambiente de espaço profundo, abrindo caminho para o pouso lunar planejado para 2028.
A missão também avaliou os sistemas de suporte de vida, detectores de radiação, trajes espaciais de nova geração e outros equipamentos críticos para futuras missões.
O Módulo de Serviço Europeu (ESM), construído pela Airbus em Bremen, na Alemanha, para a Agência Espacial Europeia, foi responsável pela propulsão, pelo fornecimento de água e ar e pela regulação de temperatura da nave.
"O ESM se saiu muito bem", disse Jonathan McDowell, astrofísico aposentado, à revista Nature. A queima principal do motor, que durou 5 minutos e 50 segundos e colocou a nave em trajetória lunar, "aconteceu perfeitamente conforme o planejado", afirmou Siân Cleaver, engenheira industrial do ESM na Airbus, à publicação.
Segundo a NASA, a missão parece ter cumprido todos os seus objetivos. "Nossa equipe levou a humanidade em uma jornada incrível ao redor da Lua e trouxe de volta imagens tão extraordinárias e ricas em ciência que vão inspirar gerações", disse Nicky Fox, administradora associada da Nasa, ao The Guardian.
Houve dois imprevistos na missão.
O mais operacionalmente relevante ocorreu nesta sexta-feira, 10, cerca de duas horas antes da queima de retorno. Houve uma perda inesperada de sinal de comunicação durante uma mudança de taxa de dados, interrompendo temporariamente a transmissão de telemetria da nave para o centro de controle.
As comunicações foram restabelecidas em seguida e a queima ocorreu conforme o planejado, segundo a NASA.
O outro imprevisto foi mais cotidiano, algo que muitos donos de casa podem se identificar. O banheiro da cápsula, do tamanho de uma van pequena, quebrou mais de uma vez ao longo da missão, obrigando o uso temporário de sacos coletores de urina e reparos improvisados feitos pela astronauta Christina Koch, segundo o The Guardian.
Fora isso, houve espaço até para leveza. No domingo de Páscoa, a tripulação fez uma caça aos ovos, literalmente, dentro da cápsula, procurando pacotes de ovos mexidos desidratados escondidos pela nave.