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Teia de aranha torna pele humana resistente a balas

Holandeses desenvolvem pele humana sobre uma estrutura de teia de aranha. O material composto resiste até a tiros

São Paulo -- Um pedaço de pele humana com seda de aranha embutida consegue resistir a tiros a mais de 150 metros por segundo – e, quem sabe, tornar pessoas à prova de balas.

A invenção é uma parceria entre a artista plástica holandesa Jalila Essaidi, de 30 anos, e o Consórcio de Genômica Forense da Holanda. Trata-se, na verdade, de uma matriz de seda de aranha na qual células da derme e epiderme podem crescer, criando uma pele misturada com a teia. “A primeira vez que pensei no projeto foi em 2001, quando li um artigo do professor de biologia molecular Randy Lewis, na revista Science”, disse, à INFO Online, Jalila.

A mais forte das fibras

A força da teia das aranhas é bastante conhecida. Elas são capazes de capturar insetos voando em alta velocidade sem se quebrar. Constituem a fibra natural mais forte do planeta. Seu uso para reconstruir a pele também é explorado por algumas linhas de pesquisa. “Outros, antes de mim, já imaginaram como usar a seda de aranha para coletes à prova de balas. Mas eu pensei: por que não levar isso além e aplicar a seda diretamente à pele?”, conta a artista.

A ideia, aparentemente absurda, foi colocada em prática quando Jalila ouviu falar do Prêmio Designers and Artists 4 Genomics (DA4GA), uma iniciativa da que dá, a artistas, a possibilidade de trabalhar em colaboração com os melhores centros de genética da Holanda. “Antes de submeter a ideia, entrei em contato com o próprio Randy Lewis e perguntei qual era a sua opinião”, diz. Como a resposta do pesquisador foi positiva, ela se inscreveu, foi aprovada, e passou a trabalhar com os cientistas do consórcio.


O projeto foi batizado de “2.6g 329m/s” – o peso e velocidade da bala que deveria ser barrada pela pele com seda de aranha. Para criar esse tecido, os cientistas fizeram primeiro uma moldura de teia de aranha. Depois, colocaram nela células das duas camadas da pele: derme e epiderme. A estrutura foi criada em uma incubadora, em ambiente controlado, a 37ºC e uma atmosfera com 7% de gás carbônico e 99% de umidade. Em cinco semanas, um círculo de pele com 15 cm de diâmetro havia se desenvolvido.

O teste do tiro

O passo seguinte era testar a resistência da pele. No Instituto Forense da Holanda, os técnicos em balística atiraram em pedaços de pele normal e de pele artificial, produzidas tanto sobre seda comum como sobre teia de aranha, registrando tudo com câmeras. Com a velocidade da bala reduzida em 50%, todas as peles foram perfuradas – menos a que tinha teia de aranha como base.

Embora o tecido não tenha suportado os 329 metros por segundo normais da bala, o resultado é muito animador. Um colete à prova de balas normal consiste de 30 camadas de kevlar, mas a pele testada possuía apenas 4 camadas de seda de aranha. “Queremos, agora, testar com mais camadas e ver o que acontece”, diz Jalila. Atualmente, um pedaço da pele de seda está em exibição no museu Naturalis.

Outro futuro teste da pele é bem mais ambicioso: ela será implantada em uma pessoa. Greet Verbeke, diretor do museu da Fundação Verbeke, na Bélgica, se voluntariou para ter um pedaço da “obra de arte” colocada em si. O procedimento, é claro, vai ser acompanhado por médicos. Por enquanto, há muitos riscos de rejeição e nenhuma garantia de que funcione – mas é um primeiro passo.

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