Ciência

Tartaruga Jonathan, o animal mais velho do mundo, não morreu: boato era golpe

Boato sobre a morte do animal de 194 anos enganou a imprensa e viralizou, mas era uma farsa para receber doações de criptomoedas

Tartaruga Jonathan: animal terrestre é reconhecido como o mais velho do mundo pelo Guinness World Records (Wikimedia Commons)

Tartaruga Jonathan: animal terrestre é reconhecido como o mais velho do mundo pelo Guinness World Records (Wikimedia Commons)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 2 de abril de 2026 às 11h31.

Última atualização em 2 de abril de 2026 às 11h43.

A notícia da morte de Jonathan, a tartaruga mais velha do mundo, se espalhou como fogo nas redes sociais no dia 1º de abril. A comoção foi grande, mas a informação era falsa. O animal, com seus estimados 194 anos, está vivo e bem na ilha de Santa Helena.

O boato, no entanto, não foi apenas uma brincadeira de mau gosto: era a fachada para um golpe envolvendo uma criptomoeda.

A farsa comoveu milhões de pessoas e enganou até mesmo veículos de imprensa internacionais antes de ser desmentida por autoridades da ilha, um território britânico ultramarino no Atlântico Sul.

"Johnathan, a tartaruga, está vivo e bem", disse o governo de Santa Helena.

Uma 'morte' que abalou a internet

Tudo começou com uma publicação na plataforma X (antigo Twitter) de uma conta que se passava por Joe Hollins, veterinário que cuidou de Jonathan por muitos anos. "Com o coração partido, compartilho que nosso amado Jonathan, o animal terrestre vivo mais antigo do mundo, faleceu hoje pacificamente em Santa Helena", dizia o post.

A mensagem, que descrevia o animal como um "gigante gentil que sobreviveu a impérios, guerras e gerações", rapidamente acumulou quase 2 milhões de visualizações.

A repercussão foi imediata. Milhares de usuários lamentaram a perda, e grandes veículos de comunicação publicaram a notícia. O alarme chegou até a Plantation House, residência do governador da ilha, onde Jonathan vive.

Segundo o jornal The Guardian, o governador Nigel Phillips se preparava para dormir quando recebeu uma série de mensagens preocupadas. Ele então foi aos jardins da propriedade e encontrou a tartaruga "dormindo debaixo de uma árvore no cercado".

Poucas horas depois, a organização Friends of the British Overseas Territories confirmou que a história era falsa. "O governador Nigel Phillips acabou de verificar Jonathan e confirmou que ele está 'vivo e bem'. Esta postagem é falsa e o verdadeiro Joe Hollins não tem uma conta no X", informou a instituição.

O golpe por trás da 'brincadeira'

O verdadeiro Joe Hollins afirmou que não utiliza a rede social X e classificou o episódio como um "golpe".

De acordo com Hollins, a conta falsa não se tratava de uma simples brincadeira de 1º de abril. “Acredito que, no X, a pessoa que está se passando por mim está pedindo doações em criptomoedas. É um golpe”, disse ao jornal The Guardian.

A publicação enganosa chegou a ser repercutida por veículos de imprensa internacionais antes de ser corrigida.

Um tesouro nacional de 194 anos

Jonathan, uma tartaruga-gigante-de-seychelles, é considerado um tesouro nacional em Santa Helena. Ele vive na ilha desde 1882, quando chegou como um presente. Hoje, é reconhecido como o animal terrestre vivo mais antigo do mundo pelo Guinness World Records.

Ao longo da vida, tornou-se uma celebridade local e símbolo da ilha, que tem cerca de 4.400 habitantes. Ao longo da vida, o animal testemunhou transformações históricas profundas. Viveu sob oito monarcas britânicos e mais de 40 presidentes dos Estados Unidos, além de ter nascido antes mesmo da chegada de Charles Darwin às Ilhas Galápagos.

Rotina tranquila e curiosidades

Apesar da idade avançada, Jonathan mantém uma rotina ativa e tranquila. Ele passa os dias tomando banhos de sol, se alimentando, com destaque para bananas, cenouras e vegetais.

Descrito como dócil e sociável, o animal também é conhecido por reconhecer vozes familiares, especialmente a de quem o alimenta. Segundo Hollins, essa personalidade tranquila pode estar relacionada à perda gradual de alguns sentidos ao longo dos anos.

Jonathan vive com outras três tartarugas gigantes, David, Emma e Fred, e já superou momentos críticos de saúde. No passado, chegou a ser considerado à beira da morte, mas se recuperou após mudanças na dieta e nos cuidados veterinários, em um processo descrito como uma espécie de “regeneração”.

Hoje, além de símbolo de longevidade, ele também se tornou uma das principais atrações turísticas de Santa Helena, e uma testemunha viva de quase dois séculos de história.

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