Raves: pesquisa aponta que experiência vai além da diversão e pode beneficiar a saúde (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 21 de julho de 2026 às 07h00.
Frequentar raves e festas de música eletrônica tem deixado de ser uma atividade associada apenas aos jovens. Cada vez mais mulheres acima dos 40 anos estão voltando às pistas de dança em busca de benefícios para a saúde mental, redução do estresse e maior conexão social, sobretudo durante a perimenopausa.
As evidências citadas fazem parte de um estudo da Universidade de Leeds, que investigou por que mulheres entre 40 e 65 anos continuam — ou voltam — a frequentar raves e outros eventos de música eletrônica. As informações foram destacadas jornal britânico The Guardian.
Para as conclusões, o estudo entrevistou 136 mulheres entre 40 e 65 anos que frequentam raves e festas de música eletrônica. De acordo com Alinka Greasley, professora de Psicologia da Música da Universidade de Leeds e uma das autoras da pesquisa, 82% das participantes já frequentavam raves havia mais de 20 anos.
Embora muitas nunca tenham abandonado esse hábito, outras retornaram depois que os filhos cresceram ou quando passaram a sentir necessidade de reservar um tempo exclusivamente para si.
Segundo a pesquisadora, estudos anteriores mostram que muitas mulheres deixam de frequentar raves e casas noturnas por causa das responsabilidades familiares ou pela percepção de que esses ambientes seriam destinados apenas aos mais jovens.
Entre os principais motivos para frequentar raves e festas de música eletrônica, as participantes apontaram a música, a dança e a oportunidade de encontrar amigas. No entanto, o aspecto mais citado foi o senso de pertencimento.
De acordo com Greasley, muitas mulheres relataram que a idade deixa de ter importância nesses ambientes e que é comum criar vínculos com pessoas de diferentes gerações. Algumas disseram, inclusive, frequentar raves ao lado dos próprios filhos.
A pesquisa também identificou que comentários preconceituosos relacionados à idade não impediram a participação das entrevistadas. Apesar de algumas relatarem situações desconfortáveis, a maioria afirmou que a experiência positiva superava esse tipo de julgamento.
Além da socialização, a dança também oferece benefícios físicos e emocionais. Segundo as participantes, passar horas dançando em raves proporciona sensação de energia, disposição e bem-estar.
Muitas também associaram essa atividade à redução da ansiedade, da depressão e das oscilações de humor, sintomas frequentemente relatados durante a perimenopausa.
Pesquisas sobre sincronização corporal ajudam a explicar esses efeitos. Estudos citados pelo jornal mostram que mover o corpo em sincronia com outras pessoas ao ritmo da música fortalece a conexão social e aumenta a sensação de prazer.
Esse efeito é particularmente intenso nas raves e festas de música eletrônica, construídas com momentos de tensão e liberação rítmica que estimulam respostas emocionais compartilhadas entre o público.
Para Rachel Giddings, psicoterapeuta que trabalha com artistas da cena de música eletrônica, as pistas de dança funcionam como ambientes de inclusão, onde idade, profissão e posição social perdem importância.
Segundo a especialista, muitas mulheres encontram nesses espaços a oportunidade de recuperar aspectos da própria identidade que acabam ficando em segundo plano diante das responsabilidades familiares e profissionais.
Ela afirma ainda que os estados de bem-estar e euforia associados às raves não dependem necessariamente do uso de drogas. Na avaliação da psicoterapeuta, essas experiências podem surgir apenas pela combinação entre música, movimento corporal e interação coletiva.
O envelhecimento da própria cultura da música eletrônica também tem impulsionado mudanças no formato dos eventos. Segundo Greasley, cidades como Leeds registram um aumento no número de raves realizadas durante a tarde e o início da noite. Esse formato permite que o público dance por horas e ainda volte para casa antes da madrugada.
A tendência acompanha o amadurecimento da cena eletrônica, surgida nos anos 1980, e amplia o acesso de pessoas que desejam aproveitar os benefícios das raves e da música eletrônica sem enfrentar noites inteiras acordadas.
Para as pesquisadoras, a popularidade crescente das raves entre mulheres de meia-idade mostra que esses eventos podem representar muito mais do que entretenimento.