Ciência

Primeiro cigarro de Ardi Rizal, menino que fumava 40 cigarros por dia aos 2 anos, foi dado pelo pai

Morador de Sumatra, na Indonésia, Ardi começou a fumar ainda pequeno e precisou enfrentar crises de abstinência e mudanças de comportamento após abandonar o cigarro

Ardi Rizal, menino que fumava 40 cigarros por dia aos 2 anos na Indonésia (Rede/Reprodução)

Ardi Rizal, menino que fumava 40 cigarros por dia aos 2 anos na Indonésia (Rede/Reprodução)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 10 de setembro de 2026 às 17h18.

Última atualização em 10 de setembro de 2026 às 17h42.

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A imagem de uma criança fumando dezenas de cigarros por dia expôs um dos casos mais extremos de dependência de nicotina registrados na infância. Ardi Rizal, morador da Indonésia, tornou-se conhecido mundialmente em 2010, quando um vídeo publicado na internet mostrou o menino, ainda pequeno, consumindo cigarros em uma cena que chamou atenção de autoridades, organizações de saúde e veículos internacionais.

A história de Ardi começou em Teluk Kemang, uma aldeia no sul de Sumatra, onde o acesso ao tabaco fazia parte do cotidiano da comunidade. Antes mesmo de completar 3 anos, ele já apresentava uma relação de dependência com a nicotina: chegava a consumir cerca de 40 cigarros por dia.

Sua mãe, Diana, trabalhava com a venda de peixes, e a família tinha uma rotina marcada pelo acesso facilitado ao cigarro. Esses fatores fizeram parte do contexto em que o hábito começou a se desenvolver.

Segundo relatos publicados pelo jornal The Sydney Morning Herald em 2017, Ardi passou a demonstrar interesse pelo cigarro depois de observar adultos fumando na região onde vivia. Ainda criança, ele recolhia cigarros encontrados em espaços públicos, sem compreender os impactos do consumo. O primeiro cigarro teria sido entregue pelo próprio pai.

A tentativa de interromper o vício

A dependência chamou a atenção das autoridades da Indonésia e levou o Ministério do Empoderamento da Mulher e da Proteção Infantil do país a acompanhar o caso. A divulgação internacional das imagens também gerou críticas à família, principalmente à mãe, questionada pela exposição da criança ao tabaco.

A retirada dos cigarros provocava reações intensas em Ardi, que apresentava crises de raiva e chegava a bater a própria cabeça quando não tinha acesso à nicotina.

Diante das dificuldades para controlar a dependência, os pais buscaram apoio especializado. Três anos após a repercussão inicial do caso, Ardi iniciou um tratamento de reabilitação acompanhado pelo psicólogo infantil Seto Mulyadi.

A interrupção do cigarro trouxe outro desafio: a substituição da nicotina pela comida. O menino passou a apresentar episódios de ansiedade associados à alimentação, o que contribuiu para o aumento de peso nos anos seguintes.

Aos 5 anos, Ardi pesava 24 quilos, aproximadamente seis quilos acima da média esperada para crianças com sua altura e idade. Sua alimentação incluía grandes quantidades de comida. Em uma refeição, por exemplo, ele podia consumir três coxas de frango, duas tigelas de sopa de almôndegas e uma lata de leite condensado.

Após deixar o cigarro, Ardi desenvolveu uma relação intensa com a alimentação, que se tornou outro ponto de acompanhamento durante sua infância.

O comportamento mudou com a chegada à escola. Segundo relatos, Ardi passou a reduzir as porções depois de enfrentar comentários dos colegas sobre a quantidade de comida que levava para o intervalo.

Como está Ardi atualmente?

Ardi Rizal, menino que fumava 40 cigarros por dia aos 2 anos na Indonésia

Ardi Rizal, menino que fumava 40 cigarros por dia aos 2 anos na Indonésia

Mais de uma década depois da repercussão de sua história, Ardi passou a ser citado como um dos casos de crianças que conseguiram interromper uma dependência precoce de nicotina.

Em 2022, aos 14 anos, Ardi frequentava a escola primária e seguia uma rotina alimentar com maior presença de peixes e verduras para controlar o peso.

Em 2019, ele esteve no Brasil para participar de um programa da TV Record. Ao longo dos anos, também concedeu entrevistas sobre sua experiência e passou a relatar as dificuldades envolvidas no abandono de vícios e na adoção de hábitos considerados mais saudáveis.

O caso de Ardi faz parte de um cenário global relacionado aos impactos do tabagismo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de tabaco causa mais de oito milhões de mortes por ano no mundo.

Desse total, cerca de 1,2 milhão de mortes estão relacionadas à exposição à fumaça produzida por outras pessoas, conhecida como tabagismo passivo.

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