Polônio-210, a substância que pode ter matado Yasser Arafat

O polônio é utilizado normalmente como fonte de raios alfa para a pesquisa e a medicina, mas já foi usado para envenenar pessoas

Paris - O polônio, encontrado em quantidades anormais nos objetos pessoais de Yasser Arafat após sua morte, é um material altamente radioativo com o qual Alexander Litvinenko, um ex-espião russo que passou à dissidência, foi envenenado em 2006 em Londres.

Nesta terça-feira foram recolhidas amostras do falecido líder palestino para determinar se foi envenenado com polônio.

O polônio é utilizado normalmente como fonte de raios alfa para a pesquisa e a medicina, mas também, entre outras coisas, como fonte de calor nos veículos espaciais.

É um semimetal cinza-prateado, de massa atômica 210 (símbolo 210Po), número 84 na tabela periódica dos elementos de Mendeleev e que se sublima (passa do estado sólido ao gasoso) com rapidez, a partir dos 50 graus centígrados.

Sua meia-vida (prazo no qual perde a metade de sua atividade) é de 138 dias.

Solúvel, muito tóxico em doses ínfimas por inalação ou ingestão, o polônio está presente na fumaça dos cigarros. Por si só, pode provocar câncer por inalação nos animais de laboratório.

O polônio foi o primeiro elemento descoberto, em 1898, pela física francesa de origem polonesa Marie Sklodowska-Curie, em colaboração com seu marido, Pierre Curie. Em homenagem ao seu país natal, deu a este elemento o nome de polônio.

Após a descoberta de "raios urânicos" por Antoine Becquerel, Marie Curie realizava pesquisas sobre a radioatividade de pechblenda procedente das minas de prata da Boêmia.


A pechblenda, que contém essencialmente polônio, é um óxido de urânio utilizado há vários séculos como aglutinante nos vernizes para cerâmica.

No entanto, em 10 gramas de urânio há, no máximo, um bilionésimo (0,000000001) de grama de polônio, o mais raro dos elementos naturais.

O polônio foi utilizado para envenenar em 2006 em Londres Alexander Litvinenko, um ex-espião russo que se converteu em opositor do presidente Vladimir Putin.

A Rússia se negou a extraditar um ex-agente dos serviços secretos soviéticos (KGB), principal suspeito do homicídio de Litvinenko, considerado o primeiro "assassinato radiológico" conhecido.

A morte de Litvinenko, que acabava de receber a nacionalidade britânica, comprometeu as relações entre a Grã-Bretanha e a Rússia, que se deterioraram a níveis não vistos desde a Guerra Fria, depois que a Scotland Yard confirmou que sua morte havia sido um assassinato.

No caso de Arafat, o Institute for Radiation Physics de Lausanne (Suíça), que analisou amostras biológicas extraídas de seus objetos pessoais entregues a sua viúva pelo hospital militar francês de Percy, onde morreu no dia 11 de novembro de 2004, descobriu ali "uma quantidade anormal de polônio", segundo um documentário divulgado pela rede de televisão Al-Jazeera.

Arafat ficou doente em seu quartel-general de Ramallah, na Cisjordânia, sitiado pelo exército israelense, e faleceu no dia 11 de novembro de 2004 em Percy.

Sua morte é um enigma. Os quase 50 médicos que o atenderam não informaram a razão exata da rápida deterioração de seu estado de saúde. Os palestinos acusaram Israel de tê-lo envenenado.

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