Ciência

Planeta 'errante' do tamanho de Saturno é encontrado no espaço

Estudo traz pistas sobre o vazio de massas conhecido como "deserto de Einstein"

Saturno: planeta errante possui cerca de 22% da massa de Júpiter, valor próximo ao de Saturno (SCIEPRO/Getty Images)

Saturno: planeta errante possui cerca de 22% da massa de Júpiter, valor próximo ao de Saturno (SCIEPRO/Getty Images)

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 06h13.

Astrônomos conseguiram pela primeira vez medir com precisão a massa e a distância de um planeta errante, um tipo raro de corpo celeste que vaga pelo espaço sem estar ligado a nenhuma estrela.

O resultado, descrito em estudo publicado na última quinta-feira, 1º, na revista Science, representa um avanço importante para a compreensão da formação de planetas no universo.

A pesquisa identificou o objeto localizado a cerca de 3.000 parsecs da Terra, o equivalente a aproximadamente 10 mil anos-luz.

Observação rara permitiu medições inéditas

A caracterização do planeta só foi possível devido a uma combinação incomum de dados obtidos por observatórios terrestres e pela sonda Gaia, da Agência Espacial Europeia.

Como funciona a microlente gravitacional

Planetas errantes não emitem luz própria, tampouco orbitam estrelas, o que impede sua detecção por métodos tradicionais, como o trânsito planetário ou a oscilação gravitacional da estrela hospedeira. Nesses casos, a microlente gravitacional se torna a única ferramenta viável.

O fenômeno ocorre quando um objeto massivo passa entre o observador e uma estrela distante. A gravidade do objeto curva e amplifica a luz da estrela, provocando um aumento temporário de brilho. A forma dessa curva permite estimar a massa do corpo, mas geralmente deixa ambígua a relação entre massa e distância.

No evento analisado, essa limitação foi superada devido a observações simultâneas feitas por diferentes instrumentos, incluindo o Gaia. O planeta recebeu as designações KMT-2024-BLG-0792 e OGLE-2024-BLG-0516.

Massa próxima à de Saturno e pistas sobre sua origem

As medições indicaram que o planeta tem 22% da massa de Júpiter, valor próximo ao de Saturno. A estrela de fundo envolvida no evento foi identificada como uma gigante vermelha, o que ajudou a refinar os cálculos apresentados no estudo.

Segundo os autores, os resultados reforçam evidências de que a maioria dos planetas errantes tem massa inferior à de Júpiter. Isso sugere que esses corpos se formaram em discos protoplanetários (porções de matéria mista - sólido, líquido e gasoso - em forma de poeira arranjadas como um disco que gira em função da estrela central) e foram expulsos de seus sistemas originais após interações gravitacionais violentas.

Objetos mais massivos encontrados fora de sistemas estelares tendem a ser anãs marrons, que são grandes demais para serem planetas e pequenas demais para sustentar uma fusão nuclear.

O que é o 'deserto de Einstein'?

O “deserto de Einstein” é uma faixa de massas com poucos objetos conhecidos entre planetas gigantes e anãs marrons. Essa lacuna aparece em levantamentos astronômicos e indica que corpos com massas intermediárias raramente são encontrados vagando sozinhos pelo espaço.

Com isso, segundo o estudo, quanto maior a massa de um planeta, menor a probabilidade de ser completamente ejetado de seu sistema original.

Por isso, predominam entre os planetas errantes objetos com massas semelhantes ou inferiores às de Saturno ou Netuno.

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