Peste bubônica avança entre os animais. Há risco de uma nova epidemia?

Novos casos da doença que matou milhões de pessoas durante a Idade Média preocupam, mas cenário atual é bem diferente do enfrentado no século 14

Um possível novo surto de peste bubônica está preocupado autoridades de saúde do mundo inteiro. Nesta semana, foram registrados casos de infecções em animais como cachorros, gatos e, mais recentemente, em um esquilo. Na Mongólia, dois homens foram diagnosticados com a doença após consumirem carne de marmota. A pergunta que fica é: há risco de uma nova epidemia da doença que dizimou milhões de pessoas durante a Idade Média?

Nos casos mais recentes, registrados na Mongólia, a cidade de Khovd foi fechada pelo governo local durante duas semanas para evitar uma possível disseminação da doença. Segundo o Centro Nacional de Doenças Zoonóticas da Mongólia (NCZD), 146 pessoas podem ter tido contato direto com os dois pacientes infectados. Essas, por sua vez, tiveram contato com outras 504 pessoas.

Chamada de Yersinia pestis, a peste bubônica ficou conhecida com Peste, Peste Negra ou Praga. A doença bacteriana teria matado 75 milhões e 200 milhões de pessoas, tendo seu pico durante a metade do século 14, na Europa. Apesar de ter afetado profundamente o continente europeu, historiadores apontam que a doença surgiu na Ásia e foi disseminada por conta das pulgas contidas em ratos que viajavam em navios mercantes.

Extremamente perigosa, a peste bubônica tem como principais sintomas febre alta, que pode superar os 40 graus Celsius, cefaleia, dores nas articulações, náusea e sensação de mal-estar. A taxa de mortalidade varia entre 80% e quase 100% dos pacientes, de acordo com o tipo de doença contraída, uma vez que a peste pode ser caracterizada em três tipos:  bubônica, pneumônica e septicêmica. Em todos os casos, os pacientes resistem apenas por cerca de uma semana.

No Colorado, nos Estados Unidos, onde a peste bubônica foi encontrada em um esquilo, autoridades de saúde pública da região afirmaram que, se as precauções forem tomadas, o risco de ser infectado pela doença é “extremamente baixo”. O cuidado maior é com donos de animais de estimação, já que o contágio ocorre pelas pulgas infectadas, pela tosse do animal doente ou por contato direto com sangue ou excrementos dos animais.

Em 2018, a Organização Mundial de Saúde classificou a peste bubônica como uma infecção re-emergente após contabilizar 3.248 casos no mundo entre 2010 e 2015. Foram 584 mortes no período – mas esse número pode ter sido maior por conta de problemas de subnotificação. Não há casos registrados no Brasil desde 2005, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde.

Questionada sobre os casos recentes, Margaret Harris, porta-voz da OMS, afirmou que “a peste bubônica está conosco há séculos”. Segundo ela, após as análises dos novos casos, o diagnóstico da OMS é de que a situação “está sendo bem administrada”. “Não estamos considerando alto risco, mas estamos assistindo e monitorando com cuidado”, afirmou para a BBC.

Para site Healthline, o médico Shanti Kappagoda, especialista em doenças infecciosas do Centro Médico de Stanford, nos Estados Unidos, ponderou a situação. “Diferentemente do século 14, nós agora entendemos como a doença é transmitida. E, assim, sabemos como impedir que isso aconteça”, disse. “Podemos tratar os pacientes infectados e as pessoas expostas as bactérias com antibióticos eficazes.”

É importante destacar também os avanços em higiene básica ao longo dos séculos. Durante a Idade Média, com a falta de saneamento básico, não era incomum que excrementos fossem despejados em vias públicas. Isso sem contar a inexistência de qualquer padrão de higiene para o manuseio de alimentos transportados e comercializados nas grandes cidades. Era o cenário ideal para uma doença altamente infecciosa se desenvolver.

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