Pesquisadores caminham para criar genoma humano sintético

Pesquisadores norte-americano anunciaram um projeto para criar genoma humano sintético, que já está provocando questionamentos éticos

	Genoma: projeto que pode revolucionar biotecnologia foi criticado por não abordar questões "éticas e teológicas"
 (Mario Tama/Getty Images)
Genoma: projeto que pode revolucionar biotecnologia foi criticado por não abordar questões "éticas e teológicas" (Mario Tama/Getty Images)
Por AFP/ArquivosPublicado em 03/06/2016 06:47 | Última atualização em 03/06/2016 06:47Tempo de Leitura: 2 min de leitura

Pesquisadores americanos anunciaram nesta quinta-feira um projeto para criar um genoma humano sintético que poderá revolucionar a biotecnologia, mas que já provoca inquietação no plano ético.

A descrição do projeto - batizado "Human Genome Project–Write" ou "HGP-write" - foi publicada na revista Science e já provocou críticas de vários cientistas sobre sua ética e seu potencial para gerar crianças sem pais biológicos.

Alguns pesquisadores também criticaram o segredo em torno da reunião mantida por cientistas no mês passado, na faculdade de Medicina de Harvard, para discutir o projeto.

Segundo os 25 promotores do HGP-write, entre eles George Church, professor de genética da faculdade de Medicina de Harvard, e Jef Boeke, do centro médico Langone da Universidade de Nova York, a iniciativa deve permitir numerosos avanços médicos, abrindo a possibilidade de se fabricar material genético a baixo custo.

"As potenciais aplicações dos resultados do HGP-write são principalmente a possibilidade de se criar órgãos humanos para transplantes e produzir células resistentes a todos os vírus e cânceres", escreveram os pesquisadores.

Drew Endy, bioengenheiro da Universidade de Stanford (Califórnia), e a professora de religião Laurie Zoloth, da Northwestern University (Illinois), avaliaram nesta quinta-feira que as implicações éticas do projeto deveriam ter sido analisadas antes de sua apresentação.

"Antes de lançar um projeto com este, com implicações éticas e teológicas tão grandes, é preciso estabelecer questões fundamentais, começando por saber em quais circunstâncias deveríamos tornar realidade estas tecnologias", escreveram os dois catedráticos, citados pelo New York Times.

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