Naufrágio: tesouro recuperado ajuda a reconstruir a história do navio Phoenix (Museu das Ilhas Scilly)
Redatora
Publicado em 5 de julho de 2026 às 06h44.
Uma coleção de moedas de ouro, joias, instrumentos de navegação, espadas e objetos pessoais recuperados de um navio naufragado há quase 350 anos está ajudando pesquisadores a reconstruir a história de uma embarcação da Companhia das Índias Orientais. Os artefatos pertenciam ao Phoenix, que afundou durante uma tempestade em 1680 enquanto retornava da China transportando mercadorias valiosas.
De acordo com o portal Divernet, as peças foram encontradas pelo mergulhador Todd Stevens, que localizou o naufrágio em 2017 após anos de pesquisas históricas e expedições subaquáticas. Agora, o acervo foi doado ao Museu das Ilhas Scilly, no sudoeste da Inglaterra, onde será preservado e exibido ao público.
A localização do Phoenix permaneceu desconhecida por mais de três séculos. A pista surgiu durante uma pesquisa nos arquivos do Museu Marítimo Nacional, em Greenwich.
Em um mapa histórico das águas próximas à ilha de Samson, Stevens encontrou a anotação manuscrita "Cap Wildy perdido", referência ao capitão William Wildy. A descoberta levou o mergulhador a iniciar uma série de expedições na região até localizar os destroços.
A confirmação de que o naufrágio era realmente o Phoenix veio após a identificação de um tipo incomum de lastro utilizado pela embarcação. O material, formado por fragmentos de antigos canhões de ferro, funcionava como uma espécie de assinatura do navio.
Construído em 1670, o Phoenix era um navio de guerra adaptado para o transporte comercial. Operado pela Companhia das Índias Orientais, possuía 46 canhões e fazia parte da rota marítima que ligava a Europa à Ásia, transportando produtos de alto valor, como seda, especiarias, chá e tecidos.
Na última viagem, o navio retornava de Amoy, atual cidade chinesa de Xiamen, carregando pimenta, especiarias, sedas e tecidos. Embora boa parte da carga comercial tenha sido recuperada logo após o naufrágio, diversos objetos pertencentes ao capitão e à tripulação permaneceram no fundo do mar até serem encontrados séculos depois.
O Phoenix afundou em 11 de janeiro de 1680 nas proximidades das Ilhas Scilly. O arquipélago é conhecido por reunir rochas submersas, canais estreitos e mudanças repentinas nas condições do mar, fatores que transformaram a região em uma das áreas mais perigosas para a navegação no litoral britânico.
Segundo registros históricos, o desastre contribuiu para a construção do primeiro farol das Ilhas Scilly, em St. Agnes, criado para aumentar a segurança das embarcações e reduzir o número de acidentes.
Segundo os responsáveis pelo museu, o conjunto de artefatos preservados oferece uma oportunidade rara de conhecer detalhes da vida a bordo de um navio mercante do século XVII.
Além de moedas de ouro e joias, a coleção reúne instrumentos de navegação, fragmentos de espadas e objetos de uso cotidiano da tripulação, permitindo reconstruir aspectos da rotina dos marinheiros e das atividades comerciais da Companhia das Índias Orientais.
As peças passarão a integrar a nova Galeria Marítima do Museu das Ilhas Scilly, onde serão preservadas para futuras pesquisas e para o público interessado na história da navegação.