Ciência

Os 20 minutos por dia na natureza que podem fazer a diferença no seu corpo, segundo a ciência

Pesquisa revela que uma pequena dosa diária de tempo na natureza pode melhorar a saúde e o bem-estar

Passeio no parque: 120 minutos na natureza por semana melhora indicadores cardíacos (Freepik)

Passeio no parque: 120 minutos na natureza por semana melhora indicadores cardíacos (Freepik)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 28 de maio de 2026 às 18h25.

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Trocar alguns minutos de tela por uma caminhada no parque pode ter efeito mensurável na saúde. Um estudo publicado na revista Nature indica que passar ao menos 120 minutos por semana na natureza se associa a maior chance de relatar boa saúde e alto bem-estar.

Na prática, o número pode ser dividido em blocos simples: cerca de 20 minutos por dia, seis vezes por semana. Não precisa ser trilha, cachoeira ou viagem ao campo. O estudo considerou visitas a parques, praias, bosques, rios, áreas verdes urbanas e outros espaços naturais.

A pesquisa foi feita por cientistas da Universidade de Exeter, na Inglaterra, e analisou 19.806 adultos do país. Os participantes informaram quanto tempo passaram em ambientes naturais nos sete dias anteriores e responderam perguntas sobre saúde geral e satisfação com a vida.

O estudo mostrou que a forma de cumprir os 120 minutos não mudou o resultado. Pode ser uma caminhada mais longa no fim de semana, duas saídas de uma hora ou várias pausas curtas ao longo da semana.

Quem ficou abaixo de 120 minutos semanais não apresentou diferença significativa em relação a quem não teve contato com a natureza. Na faixa de 120 a 179 minutos, a chance de relatar boa saúde foi 1,59 vez maior do que entre pessoas sem contato com a natureza.

Os pesquisadores também observaram que os ganhos tendem a crescer até algo entre 200 e 300 minutos por semana. Depois disso, não houve avanço claro nos indicadores.

O corpo percebe o ambiente

A pesquisa indica que o contato com árvores, solo, sons naturais e luz ao ar livre pode acionar respostas do sistema nervoso autônomo, ligado a funções como batimentos cardíacos e pressão arterial. Entre os benefícios citados estão cita redução da pressão arterial, batimentos mais lentos e mudanças na variabilidade da frequência cardíaca.

O cheiro também entra na conta. Compostos liberados por árvores e plantas podem ser inalados. O odor de pinheiros, por exemplo, foi citado como capaz de gerar efeito calmante em 90 segundos, com duração aproximada de 10 minutos.

O contato com solo e plantas ainda pode expor o organismo a bactérias presentes no ambiente. O estudo associa positivamente esse contato ao microbioma, conjunto de microrganismos que vive no corpo, especialmente no intestino.

Estudo mostra associação, não receita médica

Os autores controlaram fatores como idade, sexo, condição socioeconômica, atividade física, poluição, área verde no bairro, emprego e presença de doenças de longo prazo. Mesmo assim, o estudo é observacional. Isso significa que ele mostra uma associação entre tempo na natureza e melhores indicadores, mas não prova que a natureza, sozinha, causou o efeito.

Os próprios pesquisadores afirmam que estudos de longo prazo e intervenções ainda são necessários antes de transformar os 120 minutos semanais em recomendação oficial.

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