ONU pede medidas enérgicas contra aids, 30 anos após descoberta

Documento da organização destaca melhoras frágeis em relação aos últimos anos
Ban Ki-moon: para cada soropositivo que inicia tratamento, 2 novos são descobertos (Spencer Platt/Getty Images)
Ban Ki-moon: para cada soropositivo que inicia tratamento, 2 novos são descobertos (Spencer Platt/Getty Images)
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Javier TrianaPublicado em 03/06/2011 às 19:11.

Nairóbi - O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu nesta quinta-feira aos líderes mundiais que tomem "medidas enérgicas que transformem a resposta contra o aids e busquem uma geração sem HIV", no 30º aniversário da primeira detecção da doença.

"Os líderes mundiais têm uma oportunidade única para avaliar conquistas e carências na luta contra a aids", declarou Ban, durante a apresentação em Nairóbi de um relatório do Programa da ONU para a Aids (Unaids), sediado em Nairóbi.

O diretor-executivo do programa, Michel Sidibé, se mostrou de acordo com Ban. "Agora, mais do que nunca, é preciso uma revolução na prevenção do HIV. É imperativo que enfatizemos nossa resposta contra a aids agora para conseguir sucessos nos anos futuros", declarou.

O documento, apresentado na capital queniana pelo Unaids, destaca algumas melhoras, embora frágeis, em relação aos últimos anos: para cada soropositivo que inicia o tratamento contra a doença, há dois novos infectados.

No entanto, o texto ressalta que a taxa de novas infecções está decrescendo, o acesso aos antirretrovirais está aumentando e há avanços significativos na redução da transmissão do HIV de mãe para filho.

Entre as recomendações para combater a doença, o relatório das Nações Unidas ressalta o papel central dos jovens na prevenção, o trabalho conjunto com todos os países para aumentar o acesso aos tratamentos, a promoção da saúde e dos direitos humanos e a dignidade das mulheres.

Ban Ki-moon pediu que se revitalize o esforço para a prevenção e o tratamento universal da doença até 2015.


Para esta data, Ban afirmou que se terá alcançado "um progresso muito maior na luta contra a doença".

Nairóbi, onde foi apresentado o texto, é uma das capitais econômicas da África, continente mais castigado pela aids, com 22,5 milhões de infectados só na região subsaariana, segundo estimativas do Unaids em 2010, que apontam uma taxa de infecção de 5%, muito acima do 0,8% global que assinala o relatório.

O documento também afirma que, em 2010, na África Subsaariana, foram registrados 1,8 milhão de novos casos de infecção e 1,3 milhão de mortes por doenças relacionadas à aids, e destaca o número de mulheres soropositivas que vivem na região, 76% do total mundial.

A maior parte dos contágios na África Subsaariana ocorrem pela ausência de uso de preservativos, em uma região onde, em algumas ocasiões, é necessário caminhar vários quilômetros para conseguir um profilático.

Por regiões, os melhores números se encontram no Oriente Médio e no Norte da África (0,2% de infectados), Europa Ocidental e Central (mesma taxa) e, sobretudo, no Leste da Ásia, com menos de 0,1% dos estimados 33,3 milhões de pessoas que vivem com HIV no mundo.

Entre esta quinta-feira e sábado, ocorrerá na sede das Nações Unidas em Nairóbi um encontro do painel de coordenação do organismo, com a presença de 27 diretores executivos das 15 agências e 10 programas que conformam a ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Durante sua estada na capital queniana, Ban se reunirá também com o presidente da República do Quênia, Mwai Kibaki, e com o primeiro-ministro do país, Raila Odinga.