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Obama quer estudo com prós e contras da célula sintética

Presidente dos EUA quer garantir que benefícios não ultrapassem questões éticas

O presidente dos EUA, Barack Obama: estudo encomendado deve medir riscos da célula sintética para a saúde, a segurança, e outros (.)

O presidente dos EUA, Barack Obama: estudo encomendado deve medir riscos da célula sintética para a saúde, a segurança, e outros (.)

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Da Redação

21 de maio de 2010, 14h02

São Paulo - O anúncio de que cientistas americanos conseguiram criar uma bactéria a partir de um código genético artificial já provocou reação do governo dos Estados Unidos. O presidente do país, Barack Obama, pediu a assessores especializados para que montem um relatório sobre as implicações da nova tecnologia. Segundo ele, o objetivo da medida é "garantir que os Estados Unidos colham os benefícios desse área científica enquanto identificam os limites éticos e diminuem os riscos".

O Comitê de Energia e Comércio da Câmara de Representantes fará uma audiência na próxima semana para discutir os prós e contras da experiência. Obama solicitou à Comissão Presidencial para o Estudo de Questões Bioéticas que analise o descoberta. "Em seu estudo, a comissão deve considerar o potencial médico, ambiental, de segurança e outros benefícios desse campo de pesquisa, assim como riscos potenciais para a saúde, segurança e outros", esclareceu o presidente.

Cientistas do Instituto J. Craig Venter anunciaram a criação da primeira célula controlada por um genoma sintético. Genoma é toda a informação hereditária de um organismo, codificada em seu DNA. O avanço promete ser o primeiro passo para a criação de "vida artificial". De acordo com os pesquisadores, o avanço científico pode levar à criação de microorganismos programados para desempenhar funções específicas - e que poderiam ser usados em áreas tão diversas quanto a produção de vacinas, o controle da poluição atmosférica ou o refino de bicombustíveis.

A pesquisa foi liderada por Craig Venter, biólogo que chefiou o programa privado de sequenciamento do genoma humano, concluído em 2003. O grupo de cientistas utilizou duas técnicas que já haviam sido desenvolvidas pelo instituto: o transplante de um genoma natural entre microorganismos e a replicação de um genoma de bactéria de maneira sintética - um procedimento em que os cromossomos são construídos com substâncias químicas, a partir de informações contidas em computadores. Para criar a célula sintética, eles introduziram um genoma artificial numa célula natural.

Segundo Venter, aprender a copiar sinteticamente organismos que já existem na natureza é o passo inicial para que outros avanços - bem mais espetaculares - aconteçam. O objetivo declarado dos cientistas é criar microorganismos. Uma das linhas de pesquisa propõe a criação de algas capazes de capturar o CO2 e transformá-lo em novos combustíveis.

Venter reconhece que a capacidade de "construir" novos organismos pode levar à criação de agentes causadores de doenças, mas acredita que a técnica representa "um aumento linear na capacidade de fazer o mal e um aumento exponencial na capacidade de fazer o bem".