Pênaltis: o momento da disputa por gols é um dos mais tensos para os jogadores
Estagiária de jornalismo
Publicado em 3 de julho de 2026 às 09h58.
Poucas situações no esporte concentram tanta pressão em tão pouco tempo quanto uma cobrança de pênalti numa disputa decisiva de Copa do Mundo. Em frações de segundo, um jogador precisa executar um gesto técnico que treinou milhares de vezes, mas agora diante de milhões de espectadores, com o futuro da sua seleção dependendo do resultado.
O que a ciência descobriu sobre esse momento pode revelar muito sobre como qualquer pessoa lida com situações de alta pressão.
É a premissa que norteia o trabalho de Geir Jordet, pesquisador de psicologia do esporte que estuda cobranças de pênalti sistematicamente desde 2004.
Ele faz uso de dados de arquivos online, de análises de vídeo e de entrevistas com jogadores e técnicos. Suas conclusões, publicadas na revista Nature, vão muito além do futebol.
Um dos achados mais contraintuitivos da pesquisa de Jordet é que atletas profissionais são surpreendentemente parecidos com o restante da população quando se trata de pressão.
Os melhores jogadores de basquete dos Estados Unidos erram mais lances livres no final de jogos disputados do que no início. Os melhores golfistas do mundo erram mais putts quando há grandes prêmios em jogo. Os melhores tenistas cometem mais erros não forçados no final de games, sets e partidas do que no começo.
Numa disputa de pênaltis, o padrão se repete. Jogadores que cobram numa situação em que o erro elimina imediatamente sua equipe erram mais do que aqueles que cobram sem consequências diretas, mesmo que marcar signifique a classificação. A lógica da pressão, ao que tudo indica, não respeita o nível técnico de quem a enfrenta.
Historicamente, as equipes lidavam mal com isso.
Técnicos admitiam que os jogadores praticamente não treinavam pênaltis, e a lista de cobradores raramente era definida antes da partida. Essa fuga coletiva do problema alimentava a ansiedade. Alguns jogadores reagiam ao apito do árbitro com tanta pressa que pareciam querer apenas terminar logo com o sofrimento.
As coisas estão mudando. Algumas seleções presentes na Copa do Mundo de 2026 começaram a se preparar para pênaltis anos antes do torneio, criando estruturas detalhadas e narrativas positivas em torno do desempenho.
A Federação Inglesa de Futebol iniciou seu "projeto de pênaltis" em 2018, com a consultoria do próprio Jordet. Com isso, ela abandonou a ideia de que pênaltis são uma "loteria" e adotou uma visão de que a cobrança é algo controlável, com análise, preparação e treino específico.
O resultado foi concreto: a Inglaterra passou de uma das piores seleções do mundo em disputas de pênaltis — perdendo seis dos sete entre 1990 e 2012 — para uma das melhores, vencendo três dos quatro desde 2018.