Novo lote de vacinas pode ser usado somente para a 1ª dose. Qual o risco?

Sem a segunda dose ou com atrasos na aplicação, organismo pode apresentar uma resposta imunológica inferior ao combate contra o novo coronavírus

O novo lote de 4,7 milhões de vacinas contra a covid-19 que serão distribuídas no Brasil deve ser utilizado integralmente para a aplicação da primeira dose. A orientação é do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello e vai em direção contrária ao que o governo federal havia estabelecido no início da campanha de vacinação, de que metade das doses precisaria ser reservada para a segunda aplicação. E isso pode ser um risco.

Pressionado pelos atrasos na vacinação brasileira contra a covid-19 e pela média de mais de mil mortes por dia, Pazuello afirmou que não há necessidade de reter metade dos lotes disponíveis até a aplicação da segunda dose do imunizante. Segundo o ministro, há segurança de que de novas vacinas irão chegar dentro do prazo para a segunda imunização.

O plano de Pazuello é simples: evitar a escassez das vacinas. Ao menos cinco capitais brasileiras já reportaram a problemas durante as campanhas de vacinação. Ou seja, ao evitar que a segunda dose seja reservada, seria possível vacinar a população mais rapidamente – ao menos com a primeira dose. O problema é que este plano pode ir por água abaixo caso a segunda dose não seja aplicada a tempo.

“Se o indivíduo recebe apenas uma dose, ele corre o risco de não desenvolver uma resposta imunológica contra o agente agressor”, disse Raphael Rangel, virologista e coordenador do curso de biomedicina do Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação. “A primeira dose prepara o sistema imunológico e a segunda aumenta o potencial imunológico para a defesa contra aquele agente agressor."

O especialista também diz que a aplicação de somente uma dose induz o organismo a uma reposta imunológica menor, tornando-o mais suscetível a uma reinfecção pelo novo coronavírus. “A vacinação funciona como se fosse uma escola. Se você não passa em todas as matérias, você não termina o curso. Se você não tomar todas as doses, não ensina seu sistema imunológico a se defender”, afirmou.

No plano de vacinação divulgado pelo Ministério da Saúde, o governo federal estipulou que a segunda dose da CoronaVac, a vacina produzida pelo Instituto Butantan, deveria ser aplicada entre 14 e 28 dias após a primeira vacinação. Já o imunizante da Astrazeneca permite um intervalo maior entre as aplicações, de até três meses, segundo o documento.

“O governo precisa garantir a segunda dose assim que as pessoas receberem a primeira dose”, diz Rangel. Caso não a segunda dose não esteja disponível, o virologista explica que o Ministério da Saúde e a Anvisa precisam informar a população sobre o prazo final da aplicação da segunda dose do imunizante e, caso necessário, para uma nova aplicação da primeira dose da vacina como forma de “reativar” o sistema imunológico e prepará-lo novamente para a segunda aplicação.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 12,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.