Cientista cria vírus H5N1 super contagioso e mutante

Segundo a Organização Mundial de Saúde, ele infectou apenas 570 pessoas no mundo, mas matou 335 – uma taxa de mortalidade de quase 60%
O holandês Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus, modificou o vírus e o tornou extremamente contagioso, transmissível pelo ar  (Wikimedia Commons)
O holandês Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus, modificou o vírus e o tornou extremamente contagioso, transmissível pelo ar (Wikimedia Commons)
Por Paula RothmanPublicado em 28/11/2011 16:29 | Última atualização em 28/11/2011 16:29Tempo de Leitura: 2 min de leitura

São Paulo- Pesquisador europeu cria polêmica ao fabricar vírus modificado com grande capacidade de contagiar humanos.

Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus, na Holanda, iniciou sua pesquisa para compreender melhor o vírus responsável pela epidemia de gripe aviária em 2009. No entanto, suas descobertas o fizeram criar algo potencialmente perigoso – e agora a comunidade científica debate se é ou não correto que ele publique seus resultados.

O debate se dá pela letalidade do H5N1. Até hoje, segundo a Organização Mundial de Saúde, ele já infectou apenas 570 pessoas no mundo, mas matou 335 – uma taxa de mortalidade de quase 60%. O vírus é natural dos pássaros e tem pouca habilidade na hora de infectar outros animais, e essa é justamente a sua fraqueza: não se mover com facilidade de um humano a outro.

Fouchier, no entanto, modificou o vírus e o tornou extremamente contagioso, transmissível pelo ar – como um vírus da gripe comum. Segundo seu estudo, são necessárias apenas cinco mutações para tornar o H5N1 extremamente transmissível entre pessoas. Em setembro, o pesquisador apresentou seus resultados durante a conferência ESWI Influenza, realizada em Malta. Agora, ele deseja publicar seu trabalho em revistas científicas.

O problema é que, para grande parte dos pesquisadores, isso é um perigo: o trabalho seria como uma receita, que pode ser replicada para criar uma pandemia global. O chefe da Junta Nacional de biossegurança dos Estados Unidos, Paul Kleim, teria, inclusive, declarado que não existe organismo patogênico mais assustador do que este.

Por outro lado, o trabalho poderia ser útil e ajudar a comunidade científica a se preparar para uma possível epidemia, caso o vírus sofra as mutações sozinho. Qualquer que seja a decisão da comunidade científica, é difícil imaginar que a informação permaneça em sigilo por muito tempo - afinal, uma vez que alguém afirma ter alcançado algo, não demora muito para que outros comecem a tentar recriar o mesmo feito.